ah como desce mal esse gole
antes queimasse feito cachaça
antes doesse feito pedaço
grande demais
mas não.
como desaprender
e se desprender
desses séculos de amor
que nos envolvem?
por ora o amor des-envolve-se
e as novas formas
parecem devolver a tudo
o acordo frio
calculado
seco
de muito outrora.
antigos
eu e você gostamos da queda
do soco no estômago
do susto que é amar
solidamente
e do risco de dar
de cara na pedra
do gesto repetido
na ponta da faca.
para nós não se indica
o amor líquido, não:
é certeza de mais ressaca
e menos alucinação...
"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
terça-feira, 10 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Falsete
Two man dancing at a drag ball. ARBUS, D. 1970.
desejando sentir o perfume que já foi seu
sorri em volta
esperando de volta
um sorriso que nunca deu.
Sinceridade é moeda rara
e ela não possui
acredita-se revolucionária
mas em duas tardes
a imagem rui:
Solitária
pós-moderna
líquida e incerta.
Não tenho surpresa nem alegria
quando de novo o meu quintal visita
essa que fora uma promessa bonita
revelada agora
só uma sombra vazia.
domingo, 1 de abril de 2012
Manhã,
caminho até a padaria
o mundo me enche as retinas
e tudo merecia
ser fotografia:
dois pombos que se banham na poça de lama
dois coqueiros em contra luz e um insultante céu azul
um espinheiro que abraça uma pilastra em concreto
uma moita do mais ordinário mato, sorridentemente florida.
Foi só uma noite de dor
e amanheço assim,
impressionada com a vida.
caminho até a padaria
o mundo me enche as retinas
e tudo merecia
ser fotografia:
dois pombos que se banham na poça de lama
dois coqueiros em contra luz e um insultante céu azul
um espinheiro que abraça uma pilastra em concreto
uma moita do mais ordinário mato, sorridentemente florida.
Foi só uma noite de dor
e amanheço assim,
impressionada com a vida.
sábado, 31 de março de 2012
os sons do silêncio
anoitece
e então,
na primeira hora
essa ânsia chega
meu corpo ignora
o sono, o cansaço
em mim se escasseia a dor
pelo excesso de espaço...
negaceio a tristeza
jogada no chão da sala,
atenta,
ouço o silêncio
que de amor que me fala.
quinta-feira, 29 de março de 2012
as ondas de seus cabelos que eu afago
são um terno e morno mar onde me afogo
o toque do seu olhar sobre meu corpo
é a brisa que em mim ateia o fogo
sua voz que não é grave, nem aguda,
encerra em mim esse "deus me acuda!"
o que dizer do alvo da pele crua
e da visão de paraíso que cada extensão
desse caminho insinua?
eu conheço bem o nome dessa dança
caminhante dessa senda
eu já sigo, embriagada
vou voltando a ser criança
que não teme
calmaria nem contenda:
vou sem leme
apaixonada...
são um terno e morno mar onde me afogo
o toque do seu olhar sobre meu corpo
é a brisa que em mim ateia o fogo
sua voz que não é grave, nem aguda,
encerra em mim esse "deus me acuda!"
o que dizer do alvo da pele crua
e da visão de paraíso que cada extensão
desse caminho insinua?
eu conheço bem o nome dessa dança
caminhante dessa senda
eu já sigo, embriagada
vou voltando a ser criança
que não teme
calmaria nem contenda:
vou sem leme
apaixonada...
segunda-feira, 26 de março de 2012
fui me embora
levei meus versos e rimas
proutro quintal
de onde vejo o céu e a lua
ao natural
aqui, canção, fumaça e rua
integram um ideal
de parceria
construir
alegria crua
sem ponto final
aqui mesmo vestida
sinto-me nua
e nesse Bacanal
tudo é semente
vinho é somente
mais um sabor
a compor
o prato principal
fui me embora
me alimentar de um amor
iguaria sem igual
levei meus versos e rimas
proutro quintal
de onde vejo o céu e a lua
ao natural
aqui, canção, fumaça e rua
integram um ideal
de parceria
construir
alegria crua
sem ponto final
aqui mesmo vestida
sinto-me nua
e nesse Bacanal
tudo é semente
vinho é somente
mais um sabor
a compor
o prato principal
fui me embora
me alimentar de um amor
iguaria sem igual
quinta-feira, 22 de março de 2012
Pacífica
meio perdida
nesse deserto sem medida
ando calada
não há mais nada
o que falar...
feito quem come
feito quem morde
feito quem some
feito quem dorme
sufocada de amor
a mente silente
quase torpor
é a paz que se sente.
terça-feira, 20 de março de 2012
pé de esperar
feito semente
que sabe que explodirá
no horizonte
perco pedaços de olhar
pra renascer inteira
pitangueira
ou jacarandá.
que sabe que explodirá
no horizonte
perco pedaços de olhar
pra renascer inteira
pitangueira
ou jacarandá.
quinta-feira, 15 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Recomeço
o tempo me roça
e meu coração tem pressa
de viver a promessa
essa ameaça
para o olhar que se embaça
para a alegria escassa
diante da vidraça...
quero tudo o que mais refaça
o prazer e a graça que há nessa presença
o enlace de nossas conversas...
isso tudo, a prosa mansa
que a vida amacia
o jeito criança que de mim faz troça
e esse corpo teu, que doce
me abraça.
e meu coração tem pressa
de viver a promessa
essa ameaça
para o olhar que se embaça
para a alegria escassa
diante da vidraça...
quero tudo o que mais refaça
o prazer e a graça que há nessa presença
o enlace de nossas conversas...
isso tudo, a prosa mansa
que a vida amacia
o jeito criança que de mim faz troça
e esse corpo teu, que doce
me abraça.
Assinar:
Postagens (Atom)

