"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



segunda-feira, 14 de agosto de 2017

"É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar"

"quem cultiva a semente do amor
segue em frente e não se apavora
se na vida encontrar dissabor
vai saber esperar sua hora..." 
Tá escrito, grupo Revelação
estão se indo os dias de chuva,
é cedo, cedo e a menina samba
constrói um espinhaço
espiral de energia que ascende ao espaço
braço, perna, quadril
tudo a mil
rodopia
fecha os olhos e dentro
sapateia com gosto de quem se vinga
as brotadas ervas daninhas
mentira tristeza decepção desamor

ela requebra
faz um sapatinho
e olhando pra cima não vê
as memórias de alguém
que sequer saberia dizer
o poder que tem sambar
pra curar seu coração.


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Descontrolada e incerta

A duras penas tenho aprendido
que o incerto não é errado...
O incerto é esse cinza que me embaça o olho
miro-o como quem encara a lança no peito
como quem perde o último fôlego rio adentro
como quem, da forca, sente a abertura do cadafalso
enfrento-o na rua e no leito
no dia raiado, na tarde murcha
na madrugada insone
o incerto a tudo vence
e nos consome...

debato-me frouxa com o desejo inconformado,
descontrolado,
de controle.
eu que tarde descobri as lições do fluir
ainda me perco amiúde entre quereres e fervores
me acinzento
desacatando crepúsculos e amanheceres
que se acumulam na retina pra me lembrar que me afogo
que me firo a ferro e fogo
ao tentar, por força
esse jogo vencer.

afiro a vida
e respiro de novo,
e de novo,
e de novo
invocando o mantra que me tortura e salva
 - pois que destrói quem, tolamente, acreditei ser:
"não lutar,
nem temer."