"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



domingo, 29 de novembro de 2009

Somos todos idiotas

           A julgar pela dificuldade da prova de História apresentada pela Universidade Federal de Roraima nesse domingo, a sensação que fica é essa. Ou o examinador pensa que somos todos imbecis, ou o próprio é um imbecil, ao propor uma prova tão simplória. 
           As alternativas presentes nas questões são tão ridículas que denotam um desrespeito. Não é possível crer que alguém apto a prestar o vestibular possa confundir, no contexto da guerra fria  a URSS com Japão, ou que alguém acredite que o Regime Militar  garantiu "liberdade de imprensa"no Brasil!
            Levando em consideração que a prova de história é específica para metade dos cursos oferecidos pela UFRR, creio que estas deficiências não podem se perpetuar ano após ano.
            O que esse tipo de exame provoca é a ridicularização de quem estuda. Lamento por meus alunos, por todos aqueles que se dedicaram arduamente ao estudo da história, uma vez que, com erros de digitação, vocabulário indigente e frases muito mal construídas, o vestibular 2010 da UFRR tenha dado, na prova de história, chances iguais a quem não estudou com afinco.

sábado, 28 de novembro de 2009

Quando chega a hora...


Sim, tenho medo. Sinto mesmo que o chão vai desaparecer, ou que, de repente, tudo se transformará em ar e nada me sustentará. Quando chega a hora, eu fico sem jeito, chego sempre a pensar em sair correndo. Mas ignoro solenemente o furacão que se forma dentro de mim e sigo adiante.

          O medo, no entanto, não me paralisa. Alço vôo e às vezes caio. Sei que é assim pra todo mundo, exceto pra quem se contenta com restos pisados no chão. Eu quero mais.

         Penso em meus alunos, que amanhã, alçam o assustador vôo-vestibular. Gostaria de crer que todos vão se superar e sair-se muito bem. Mas não há sucesso reservado pra tanta gente... enfim, é assim pra todo mundo. E quem quiser mais, não se contentará com a primeira queda. Com minhas aulas, mais do que ensinar a não cair, esperei ensinar-lhes a levantar, sempre que a queda ocorresse.
          E que as lições continuem a ser aprendidas enquanto vida houver!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Novos novembros...

Hoje saudade

Então espero que as lágrimas lavem a dor
Que a noite em claro clareie o caminho
Que tudo passe.


Hoje saudade
Essa dor de ter passado
Memória que arranca a pele
E aumenta o engano.


Hoje saudade:
Em tudo me dano.

domingo, 15 de novembro de 2009

Cordas de aço, porque meus nervos são orgânicos mesmo...

Um poeta morto a mais.Fazer o quê? A morte é democrática.
Últimamente, no rádio da minha cabeça, o hit do momento é de Cartola.Atormentada, resolvi colocar a letra aqui, pra ver se me livro dela...

Cordas de aço

Ah, essas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah, este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão
Compreende porque perdi toda alegria
E no entanto meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher
Até hoje está nos esperando...
Solte o teu som da madeira
Eu você e a companheira
Na madrugada iremos pra casa
Cantando...

sábado, 14 de novembro de 2009

MORTA VIVA

(Sim, Blenda tem razão, eu nasci no século XIX. Sou antiquada, me apaixono e morro. Escrevo poemas porque vivo dilemas intermináveis. Prova disso é o poema "Morta Viva":)


Há muitos métodos para matar uma pessoa.

O mais cruel é aquele que mata mantendo-a viva.

E é verdade, viver mata.

Revejo as cenas de meu fim.

Um tiro. Seco.

Uma garrafa de vinho, tinto

e o sangue, espesso, escorrendo.


Uma faca. Fria.

Uma dose de cachaça, quente.

e o sangue, espesso, escorrendo.


Overdose de tranqüilizante. Indolor.

Uma garrafa de gim, incolor.

e o sangue, espesso, parado junto ao cor.


Corte no punho. Trágico.

Garrafa de uísque, o Manifesto Antropofágico.

e o sangue, espesso, escorrendo.

...

Atirar-me em frente ao carro

Afogar-me no catarro

Destruir-me a sangue frio!

Uma corda no pescoço. Firme.

Uma desculpa qualquer para ir-me

Dessa dor dentro de mim!


Vejo os quadros todos prontos

Meus pontos, meus contrapontos

Todos tão sós, como eu:

a verter o sangue espesso

das artérias, me despeço

desse amor que não morreu...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mentiras perfeitas

Perfeição não é meu caso
eu sou mais pra imperfeita
me refazendo ao acaso
das dores que o peito aceita...

vou seguindo, entre olhares
que admiram sem mirar
as dores que, aos milhares
são motivos pra chorar

eu sei que as escondo bem
até pra mim já o fiz
e vivo esse personagem:
mulher, poeta, feliz...

terça-feira, 3 de novembro de 2009


Poesia
Nuvem imunda
todo encanto arde