"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da mulher... e daí?

Sim. Vieram me dar os parabéns hoje.

É um chavão dizer que mulher aguenta mais a dor e o esforço do que o homem, que é capaz de fazer mil coisas ao mesmo tempo, bla bla bla bla.
Em geral, as mensagens do oito de março nos lembram como somos superiores cumprindo diversas jornadas de trabalho, cuidando de casa, carreira, filhos, aprimoramento profissional, e ainda aguentando aquele chato no supermercado ou aquela vendedora impertinente com um sorriso no rosto e um salto nos pés.

Ora, façam-me o favor, onde estão os motivos de celebração?

O fato é que não escolhi ser mulher. Nasci assim, pronto. O que isso tem de mais?
Tenho pra mim que é o puro machismo quem enleva as mulheres, colocando-as como heroínas. Assim, assumimos o papel enquanto os machos da espécie levam um sábado inteiro pra lavar o carro. Assumimos o papel quando eles descansam em frente à tv. Eu não quero ser heroína nem dar conta de mil coisas ao mesmo tempo. Eu quero mesmo é passar o sábado inteiro fazendo algo que me dê prazer. Eu quero mesmo é descansar em frente à tv, ora bolas!

Sei da importância histórica que esse dia possui na sociedade ocidental, em que a mulher sempre foi tratada como ser humano de segunda categoria. Gregos famosos até questionaram a humanidade feminina. Mesmo assim, não concordo com o que esse dia se tornou.

Não quero que me parabenizem por ser mulher, coisa que eu não fiz nada pra ser.
Quero receber abraços e beijos todos os dias, não somente no oito de março,
quero que me digam da admiração que sentem por mim sempre que eu der motivos,
quero que me valorizem pelo grande ser humano que eu sou, independente do meu gênero.
E luto todos os dias para não cair nessa armadilha de acreditar que sou uma SUPER MULHER. Me contento em ser uma pessoa legal e superar os estereótipos que traçaram para mim somente por que nasci de um jeito e não de outro.
Ponto final.

4 comentários:

Ágda disse...

Datas comerciais, nada mais.
Porque até o significado histórico é ensinado errado, ou pela metade.
Na verdade, nunca tivemos o verdadeiro reconhecimento de ter conquistado a igualdade.
Algumas continuam do mesmo jeito, se não pior das que viviam no século XVIII e XIX.
E eu só quero me espreguiçar na rede e ver o sol se por.

Juliana Cimeno disse...

Não sou contra uma data que comemore a essência feminina. Por mais que seja comercial, teve se começo em uma história - um propósito válido. E, sendo mulher, gosto de ser paparicada no dia 8. Porém, me enjoa o estômago ler sobre as maravilhas que a mulher faz só por existir, as conquistas femininas e papapa, quando tais palavras são só consideradas nessa data. Resumindo, sou a favor da celebração feminina, não da pamonhice fingida! UAHUAHAUHA

Nathy disse...

Como diria o professor Claudio "Essa foi forte!"

Roberto Mibielli disse...

Ingratas... depois de tudo o que fizemos por vcs?!? Tsc, tsc, tsc... Esse mundo está decadente!!!!