"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



domingo, 7 de março de 2010

Desejo


Há algo de poético
Em contemplar vísceras?
Algo de perscrutar-se a vida
Que ávida, dali se pôs ausente?

Há algo de poético em escolher palavras
Quando a boca cala
O que o olhar insinua
E a alma sente?

Há algo de poético em dissimular
Lembrar e esquecer
O limite que, seguro,
Se quer exceder?

Respiro e tremo.
De alma mais que de corpo.
Não há resposta, temo,
Para o que não se inquire,
Para o que nasce morto.

Estou certa de que há poesia em se viver.
No que se nota, ouve, sente e vê.
Há algo de poético,
sobretudo no poder de imaginar
Sob o desejo que corta a pele feito faca
O ter
O outro ser.

2 comentários:

Mari disse...

Ainda bem que descobri..é o tipo de coisa que tem que se ler anter de morrer :D

Marina

Ágda disse...

E porque eu não vim cá ler seu poema antes de dizer no meu blog que a vida estava completamente sem poesia?
Pouco importa. Roubarei um pedaço do teu verso pra mostrar o tipo de poesia que sinto falta.
=D