"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Calou-se o poeta
pra olhar a vida
pela fresta
da porta,
a lua
a revelava
nua e quase morta
sob o sorriso ensaiado dos dias:
não havia verdade sentida,
não havia sentido na estrada,
não havia sequer poesia,
aquela luz
desencobria
seu nada.
a lua cheia
de si
me encheu de tudo:
de estar mudo
represando rios
da vida ensaiada
em sorrisos e gestos.

a lua cheia
ateou fogo
nos meus cabelos
e em cada poro
acendeu novos apelos.

hoje míngua a lua
e o desejo é essa íngua renovada...
ao vento do meio-dia
dissipa-se o aroma
de minh'alma moqueada.

domingo, 4 de dezembro de 2011

amor de infância

hoje uma imagem da lembrança
me voltou tão forte e limpa na memória
que senti o mesmo encanto de outrora:

o meu rosto então sentindo o sangue quente
o coração ganhando vida e vindo à boca
a vontade de estar perto, junto, rente
 - toda razão para não sentir, seria pouca.

hoje amanheci pensando nele
hoje amanheci feliz da vida
querendo repetir na minha pele
a emoção há tanto já sentida

e ele me atendeu, que alegria!
respondeu aos meus apelos, que paixão!
novamente solto o grito entredentes:
É CAMPEÃO,
TIMÃO, TIMÃO!

domingo, 27 de novembro de 2011

Há quem confunda a dor que é dor
com a dor cantada
e há quem não suporte o retrado da dor
que observo e pinto...

Mas a questão pela qual não busco o esturpor
nem me faço anestesiada
é singela e cheia de egoísmo:

há visão tão bela
quanto a de um abismo?


Se a flor da beira me rende lirismo,
me rende perfume
e me rende sentido pra vida e o ciúme
buscar essa flor é ser suicida?

Não me assusta sofrer,
romper o coração,
não me assusta cair,
me desespera
é perder a hora e não desejar a beleza mais rara
só por estar presa
ao medo da tristeza
ou à obrigação de sorrir.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

virtual

a vida vazia
a via nua
havia ali
vinho tão vil
tão crua vista...

ávida sorvi
o veneno das luas
e suas veias
entornaram vícios

naquele abraço
 - filho do ócio -
avistei vales
e precipícios...

domingo, 20 de novembro de 2011

queda livre

era cedo
quando olhou pro alto
e saltou no abismo.

deixou o cinismo
e um recado escrito
para niguém ler:

só me deixe
hoje o céu
não está pra peixe.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

há dias sou essa nuvem escura
que ameaça e não chove
que só troveja e comove
cães tomados de loucura

há dias sou prematura
flor debulhada no asfalto

em contínuo sobressalto
insidiosa criatura

há dias me desconheço
como estivesse sem mim
esperando pelo fim
do que nem teve começo

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

promessa para Adahra

Vinde a mim, morena ditosa
e te faço carinho, dou-te um ninho
um perfume, um descanso, uma rosa
poesia, alegria, nova estrada...
tudo o que quiseres
a vida numa madrugada!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

de manhã, na cama
reclama a quarta
por sua cara de segunda

e pela semana
esquartejada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Insânia em seis atos

I
uma canção de urgência
pôs-me o coração na boca
e o amor em indigência

II
outra canção,
         de distância,
exilou-me da esperança

III
quando as horas bateram trôpegas
alarmes que não tocaram
calaram definitivamente a razão

IV
amanhecera o sábado
sem motivo algum
para ir ou ficar.
 V
fui olhar o rio pra lembrar
que eu também passo
a pressão dos meus presságios sugeriu
- não tenha pressa...

VI
segunda, seguindo
e me afago
e me afogo
no a mar.