"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Insânia em seis atos

I
uma canção de urgência
pôs-me o coração na boca
e o amor em indigência

II
outra canção,
         de distância,
exilou-me da esperança

III
quando as horas bateram trôpegas
alarmes que não tocaram
calaram definitivamente a razão

IV
amanhecera o sábado
sem motivo algum
para ir ou ficar.
 V
fui olhar o rio pra lembrar
que eu também passo
a pressão dos meus presságios sugeriu
- não tenha pressa...

VI
segunda, seguindo
e me afago
e me afogo
no a mar.

domingo, 13 de novembro de 2011

Sombra e sobra - ou sobre ontem

No dia do concílio de feiticeiros,
sagrado judio e de seitas outras,
celebro o sonho.
Mas na quinta,
me subtrai o medo
e a serpente que me sonda
sussurra-me
sibila em meu sono
soçobrando em mim o desejo
espalhando seu veneno de cobra...
eu cedo, envolta em sombras
e me entristeço
como somente pode
quem sabe que sobra:

será que só?
que sou?
que sábado?
e só?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

poeminha para o Éden

ah o paraíso que vejo
precioso e preciso
doce envolto em fumaça...

será que me abraça
que me adota,
me caça? 

sábado, 5 de novembro de 2011

Meninas musas*

I

É doce que não me enjoa
o beijo dessa mandona
pois de tanto se doa
de mim já se fez a dona...
não exige, nem despreza
chega, invade e está feito:
quando vi era posseira
a ocupar o meu peito.
Tudo que há em mim se alegra
ao som da voz da menina
que de alegria e prazer
é a mais explosiva mina.

Quando estou para implodir
e penso que é o fim
em sua pele de marfim
meu veneno ela destila:
o que seria de mim
sem o amor de Narrila?

II
Há ali um ar blasé
de quem já me conhece,
de quem já me prevê.
Naqueles lábios,
entreabertos,
céus e desertos
espreitam incautos...
Eu me rendo
entre rendas e saltos
deliro, tremo e morro
pra renascer e novamente
em seu oásis pedir socorro.

quando a vê,
todo meu corpo se agrada:
amor, você,
minha Adahra...

III

vi
em seus olhos negros
vinhas e viagens
verdadeiras vertigens
vândalos em Roma
veias estouradas

vi
e o que vi
não se engane
tira-me a paz
não vejo nada mais
que Viviane.

* Alegrias minhas, entre nós atadas: Narrila, Adahra e Viviane. Amor. Nós.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

misturo cores
de horror
a notas
saborosas e fartas
de amor

as horas são forcas
as forças são parcas

espremo o coração
viro licor

domingo, 30 de outubro de 2011

meu sumiço

andei calada
coração na garganta
garganta fechada

andei doida
doída
de ódio e tédio

já em cacos
definitivamente implodida
volto às palavras
e à vida.

sábado, 22 de outubro de 2011

dos sentidos da morte e vida*

quando eu morri
há um ano atrás
não sabia de nada mais.

vi o melhor de mim se esvair
vi o melhor de mim se enterrar
vi o melhor de mim desaparecer
e fiquei comigo uma pedra enorme
num sapato de andar milhas.

quando eu morri, há um ano atrás,
enterrei maravilhas.
uma vida inteira de poesia e verso
um universo de fazer-se e refazer-se na troca com o outro
a tocar no eterno...
quando eu morri, há um ano atrás,
reconheci o inferno
a realidade do astronauta,
o nada, o nada
eu era
sem companhia, sem reflexo.

como se irrompesse de minha mãe pela segunda vez,
há um ano atrás
violenta e viva
eu explodia e era a solidão
renascida em estado bruto, puro e original
então saudei ao mundo
com meu choro e a dor aguda
de quem renascia
e, de novo,
nada mais compreendia.

* Para Vavá que me fez crer, por dezesseis anos, que eu não estava perdida no espaço...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

morta viva

tonta
observa em si
seus mortos.
estabelece um trato
com o mal
e queima os portos.
finge não ter medo do contorno do tempo
adiantando-se ao nada.

é noite
em pedaços solitários
espalhados pelo quarto
ela chora convulsiva
sabendo-se tão morta
quanto viva.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

porque hoje é sexta...

o fraco
inveja o vadio
que forte
fartou-se da farda
furtou-se ao trabalho
e foi visto feliz
fervilhando
na maior fuleragem.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Falso brilhante?

disponível em http://desvendandominhaalma.blogspot.com/2011/04/minha-mascara.

Quero romper esse cristal
quebrar o padrão
elaborado no curso
de educação sentimental com duração de 38 anos.
Quero outros planos
divergir dos filmes e canções de amor
que falam de dores e suores e tremores
e valores que meu peito
já não quer saber de cor.
Quero inventar um jeito
de viver a paixão alucinada
sem depois me espalhar pela estrada
espedaçada,
pedregulho,
menor.

Então pergunto, meu amigo:
você vem comigo
pra ver se eu consigo?