"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



sábado, 22 de outubro de 2011

dos sentidos da morte e vida*

quando eu morri
há um ano atrás
não sabia de nada mais.

vi o melhor de mim se esvair
vi o melhor de mim se enterrar
vi o melhor de mim desaparecer
e fiquei comigo uma pedra enorme
num sapato de andar milhas.

quando eu morri, há um ano atrás,
enterrei maravilhas.
uma vida inteira de poesia e verso
um universo de fazer-se e refazer-se na troca com o outro
a tocar no eterno...
quando eu morri, há um ano atrás,
reconheci o inferno
a realidade do astronauta,
o nada, o nada
eu era
sem companhia, sem reflexo.

como se irrompesse de minha mãe pela segunda vez,
há um ano atrás
violenta e viva
eu explodia e era a solidão
renascida em estado bruto, puro e original
então saudei ao mundo
com meu choro e a dor aguda
de quem renascia
e, de novo,
nada mais compreendia.

* Para Vavá que me fez crer, por dezesseis anos, que eu não estava perdida no espaço...

7 comentários:

Silvia Nery disse...

Amiga Eli, amei o teu texto e consegui "sentir" a tua dor. Dizem que os artistas/poetas são as pessoas que conseguem penetrar no impenetrável...traduzir pensamentos, sentimentos, cores, sabores...a própria essência da natureza humana. Parabéns, vc consegue tudo isso através da sua poesia...muita força.

Roberto Mibielli disse...

"quando eu morri, ha um ano atrás, reconheci o inferno" - Eli, isso é tão lindo quanto triste e é tão verdadeiro que doeu na gente também, e continua doendo. Um beijo forte.
Mibi

Cora disse...

Há um ano, eu era jurada num concurso de cosplayers (Fantasy no Sekai) em Roraima, quando chegou a notícia.
Eu nem soube como reagir. Nem eu nem a Gaby...

Eli, um grande beijo.

aguirre32 disse...

lindo gozzo, como uma pequena morte, arquitetura de vestigios em gozzos, rsrsrsrsrsrsrsr!

Sabrina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sabrina disse...

A dor é inevitável e você consegue traduzi-la em palavras. Não palavras simples, mas no arranjo destas.
Não sei o tamanho da sua dor, porem, pude sentir você dar um pouco dela pra mim.

Forte mulher, atras belos versos,
... bjs pra ti.

Anônimo disse...

A gente morre por dentro, mas é inevitável: a vida física que ainda se resta nos força a continuar.