(Sim, Blenda tem razão, eu nasci no século XIX. Sou antiquada, me apaixono e morro. Escrevo poemas porque vivo dilemas intermináveis. Prova disso é o poema "Morta Viva":)
Há muitos métodos para matar uma pessoa.
O mais cruel é aquele que mata mantendo-a viva.
E é verdade, viver mata.
Revejo as cenas de meu fim.
Um tiro. Seco.
Uma garrafa de vinho, tinto
e o sangue, espesso, escorrendo.
Uma faca. Fria.
Uma dose de cachaça, quente.
e o sangue, espesso, escorrendo.
Overdose de tranqüilizante. Indolor.
Uma garrafa de gim, incolor.
e o sangue, espesso, parado junto ao cor.
Corte no punho. Trágico.
Garrafa de uísque, o Manifesto Antropofágico.
e o sangue, espesso, escorrendo.
Atirar-me em frente ao carro
Afogar-me no catarro
Destruir-me a sangue frio!
Uma corda no pescoço. Firme.
Uma desculpa qualquer para ir-me
Dessa dor dentro de mim!
Vejo os quadros todos prontos
Meus pontos, meus contrapontos
Todos tão sós, como eu:
a verter o sangue espesso
das artérias, me despeço
desse amor que não morreu...