"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



domingo, 10 de junho de 2012

Divisão

Amanhece um colorido tão intenso
Que meus olhos se colorem, se enrubescem
E se fecham, irrequietos e acossados
Pela luz dessa vida que se aquece.

Esse dia não combina com minh’alma
Que se engana, ao julgar que estava livre
E solitária vaga, voa, sobrevive
À condição de ser fratura, de ser trauma.

E meu corpo, esse cruel detalhe horrendo,
A expressão da alma minha não permite
Se alegra com o sol que se avizinha
Recolhendo-se pleno de limite.

Nessa luta, nesse campo, nessa arena
Sou a grama sob os pés dos paquidermes
Sou o marisco que se debate inerme
Nos desvãos da luta entre a rocha e o mar.

Quando tudo que eu queria era amar
Vem o sol, numa louca epifania
Cala o corpo, que berrava em histeria
Cala a alma, que folgava em se danar.

Um comentário:

Monique Oliveira disse...

Mesmo que a gente fique triste,
o sol sempre estará lá fora com a sua graça, a sua luz, o seu brilho.
Esperando pacientemente, a gente se acalmar, depois levantar, e ir ao seu encontro.
Mas as vezes ele escurece, e o tempo fecha. As vezes o tempo se revolta, e aí, de subito temos uma alegria descomunal.
Que fazer diante das ironias que são apresentadas? Nada. A gente ri, a gente chora, e a gente brinca como se ainda fossemos crianças de tempos antes.

E eu só respiro, como todo mundo vai respirando, nesse infinito fluxo aéreo da árvore da vida. ='/