E se você não parecer tão forte
se você não parecer tão duro
se você não parecer tão fechado
se você não for uma CAT completa
se você admitir vulnerabilidade
na construção da intimidade
com essa poeta
ainda assim
- pode confiar -
eu não vou fazer nada
nada
nada mesmo
na intenção
de te machucar.
"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
A filha pródiga, ou dos resultados da meditação.
I
Primeiro acreditei que era incapaz
de conversar, de sorrir, de partilhar,
acreditei que era incapaz de me superar,
acreditei que estava pronta pro nunca mais
acreditei que era incapaz de acreditar.
II
Com um fiapo de dignidade reagi
e quando finalmente findei
com a "solidão a dois de dia"
eu já não era, eu era só agonia
destroçada, não me reconhecia
e não queria viver mais.
Uma dúzia e meia de meses atrás.
III
Para desistir da forca
o primeiro passo foi respirar
e respirei feito louca, embora ainda não pudesse
nem de longe me suportar.
Rigidamente impus flexibilidade ao meu corpo
que gordo, esquecido, torto
se fez dolorido e abandonado,
de mim, pela desesperança sequestrado
era um corpo perto do fim.
IV
Cozinhei-me devagar e com paciência
reconheci e expulsei
pânicos, inseguranças e outras doenças
reconstruí, naco a naco
a deusa que me habita
e é o silêncio da minha mente quem agora grita
e meu coração finalmente está em paz.
V
Olho-me do alto, árvore renascida
deusa-mãe, mulher, completa e decidida
reconheço em meu tronco cada marca, cada ferida
sei quem me impôs o último golpe aniquilante
e sei que fui cúmplice na queda vertiginosa
ao abandonar a consciência de ser rosa,
ser jasmim ou onze horas
flor simplérrima sobre o chão
beleza efêmera, odor de ocasião
permiti as sucessivas podas
que devastaram-me o jardim do coração.
VI
Hoje vejo brotar a palavra perdão
para quem me feriu,
para o mundo que assistiu
para mim mesma, na totalidade do que sou.
Quero caminhar consciente da beleza
de que respiro e sou parte completa da natureza
de que meu corpo vibra e minha voz pode embalar
sou quem sou,
nem anjo nem demônio,
não estou pra destruir nem salvar
sou apenas um ser completo
capaz de me entregar,
de amar e reamar.
Sim, por fim
a mim mesma
eu voltei a cultuar.
Primeiro acreditei que era incapaz
de conversar, de sorrir, de partilhar,
acreditei que era incapaz de me superar,
acreditei que estava pronta pro nunca mais
acreditei que era incapaz de acreditar.
II
Com um fiapo de dignidade reagi
e quando finalmente findei
com a "solidão a dois de dia"
eu já não era, eu era só agonia
destroçada, não me reconhecia
e não queria viver mais.
Uma dúzia e meia de meses atrás.
III
Para desistir da forca
o primeiro passo foi respirar
e respirei feito louca, embora ainda não pudesse
nem de longe me suportar.
Rigidamente impus flexibilidade ao meu corpo
que gordo, esquecido, torto
se fez dolorido e abandonado,
de mim, pela desesperança sequestrado
era um corpo perto do fim.
IV
Cozinhei-me devagar e com paciência
reconheci e expulsei
pânicos, inseguranças e outras doenças
reconstruí, naco a naco
a deusa que me habita
e é o silêncio da minha mente quem agora grita
e meu coração finalmente está em paz.
V
Olho-me do alto, árvore renascida
deusa-mãe, mulher, completa e decidida
reconheço em meu tronco cada marca, cada ferida
sei quem me impôs o último golpe aniquilante
e sei que fui cúmplice na queda vertiginosa
ao abandonar a consciência de ser rosa,
ser jasmim ou onze horas
flor simplérrima sobre o chão
beleza efêmera, odor de ocasião
permiti as sucessivas podas
que devastaram-me o jardim do coração.
VI
Hoje vejo brotar a palavra perdão
para quem me feriu,
para o mundo que assistiu
para mim mesma, na totalidade do que sou.
Quero caminhar consciente da beleza
de que respiro e sou parte completa da natureza
de que meu corpo vibra e minha voz pode embalar
sou quem sou,
nem anjo nem demônio,
não estou pra destruir nem salvar
sou apenas um ser completo
capaz de me entregar,
de amar e reamar.
Sim, por fim
a mim mesma
eu voltei a cultuar.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Amar é clichê
sim,
ainda há dores
e coisas fora do lugar
há diversos dissabores
e nem todas as cores vibram
como poderiam vibrar
de lado a lado ainda há problemas
e medos e traumas
mas há novas canções e poemas
e entrega e carinho e calma.
Cada minúscula parte do que sou
está feliz pelo que fiz:
meu coração
- que castigado, quase secara -
agora é toca para um leão
espécie rara que em meu peito se aninha
ronrona, delira, me inspira
a reencarnar a apaixonada poeta.
Reescrevo, sem culpa, todos os clichês
nessa bela história de amor que hoje completa
dezesseis anos
e um mês.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Pariceiros
MATARAM AS HORAS, SUBJUGARAM O TEMPO E TOCARAM O ÍNTIMO DA ETERNIDADE...
![]() |
| O Beijo. Constantin Brancusi. Cemitério Montparnasse. |
a gente junto...
tanta energia que nos aquece
o cansaço se alivia
desaparece
pele na pele
o desejo nos revela
enovelados
a manhã
vem surpreender
o nosso afã apaixonado
e quando a luz nos trava as retinas
sorrimos os dois
cerramos as cortinas
porque é pouca noite
pra muito assunto
a gente junto
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
domingo, 20 de novembro de 2016
Nossa missa
"nas manhãs de domingo, vejo flores em você"
lânguida
lambi a noite
jardinei-me em promessas
e tu me ouvias
mergulhada no rio da memória
desses dezesseis anos
e quinze dias
é culto de muitas horas
te adoro
me adoras
a pele e os lábios
precisos e em prece
destroem os cansaços
e tropeçamos nos braços
que a vida oferece
do outro lado da cortina
o dia raia impassível
e eu de bruços recebo
as lições e os laços
a conceber:
o presente é canoa
que por ora conduzimos
querendo reflorescer.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Minuto de silêncio
Amanheceu
meu mundo amorenou.
Uma pele pura
sobre a carne crua
presente
promissora e permissiva
perfeita
pôs-me perplexa
e por hora
perpassada
por poucas palavras.
meu mundo amorenou.
Uma pele pura
sobre a carne crua
presente
promissora e permissiva
perfeita
pôs-me perplexa
e por hora
perpassada
por poucas palavras.
domingo, 6 de novembro de 2016
Recaída
"nas manhãs de domingo parece que todos olham pra você..." IRA!
Embora envolta em dor finaaferi meus poros lambi-me a pele
lambi-me os pelos
levei-me para fora da toca
e em braile dei-me a ser lida.
quando da noite se fez despedida
sob o céu nublado
também chovia em mim
endorfina pra todo lado
e revi meu corpo levitar
completamente dopado!
é seu ofício e meu horror:
o domingo se arrasta sobre tudo
com o mesmo vagar
o sol beija a tudo e aquece com o mesmo fervor
e observo a velha ferida
sob os efeitos do predileto vício...
Salve! Pois que nessa vida
dura, torta e desmedida
sempre será justo comemorar
a possibilidade dessa recaída.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Desprendimento
pois que tudo morre
amanheço acúmulo de não pertenças
sozinha com a vida
criança na floresta
onça na avenida
miserável na classe média
privilegiada entre miseráveis
paulistana-macuxi-paulistana
humana
mulher entre travestis
pestanas abertas para o caos
encravada entre pele, pelos, ossos
sou pluma chegada ao chão do abismo
acúmulo de solidões profundas
por desistências provocadas
ausentes amizades
e descontato contínuo.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
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