tão tu e eu
esse tanto de tititi
tu tá?
eu tô
tu teu e eu
tua tua tua
tu tá?
tudo tanto...
tantãs tocando no fundo
tipo, tamo aí
eu e tu...
taria tudo tão no tom
quando eu dissesse seu nome
mas só ouço tututu
se chamo seu telefone.
"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
domingo, 17 de maio de 2015
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Fênix
Então que viver deve ser mesmo
esse ir-se desesperançando lentamente rumo ao nada
em fiapos.
Eu, que não nado,
não nasci a fórceps
me afobei desde sempre
e sigo assim mesmo
enfaíscada
faço festa nas bordas
farreio com as farpas da vida
francamente
fiando,
afiada.
Afogada em frases refeitas
ora feliz, fatal, fortaleza
ora fúnebre, à falência,
fodida
sigo
até que, por fúria ou febre
fraqueza ou frio
funesto fato qualquer
à força
uma hora me finalize.
esse ir-se desesperançando lentamente rumo ao nada
em fiapos.
Eu, que não nado,
não nasci a fórceps
me afobei desde sempre
e sigo assim mesmo
enfaíscada
faço festa nas bordas
farreio com as farpas da vida
francamente
fiando,
afiada.
Afogada em frases refeitas
ora feliz, fatal, fortaleza
ora fúnebre, à falência,
fodida
sigo
até que, por fúria ou febre
fraqueza ou frio
funesto fato qualquer
à força
uma hora me finalize.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Ausente
Quando eu era criança sentia falta demais da minha mãe quando ela ia na maternidade buscar mais um irmão. E foram muitos, alguns nem vieram.
Um dia os sustos tomaram forma de provas de matemática que era aquela linguagem de gente que sai do recôndito da terra e nunca, em nenhuma geração passada, havia se voltado pra mim.Jamais comunicamos, eu e ela e nos assombramos mutuamente por anos que pareceram eras.
Eu me rebulicei, tronxando as coisas que não cabiam até caber, fui extrusando o que era e foi estranho pertencer ao grupo e não ser ninguém. Estranho ser alguém no fio da faca, "aquela deusa?" "aquela vaca?", não foi tranquilo. Suave, não.
ah como doem
essas flores murchas
essas rugas toscas
esse tanto atrás
Não sei como nem porque vieram esses fantasmas habitar o paço e a sala e o jardim. Nem sei se sempre estiveram pela casa, à espera de um suspiro que me sacasse o que de mais perverso havia no fundo. Me alicerço no ar, não sei como nem porque se instalaram assim. Os fantasmas. Mesclam silêncios e uivos, entrecortam o eco do peito sob essa chuva incendiária que retorce e esmiuça e escancara a carne desgovernando e desavergonhando ideia. Eles veem e revolvem a coisa toda. E vêm de fora, e vêm de dentro. E ficam.
como doem
em caminhos tantos
derramados prantos
na ausência da paz.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Prisioneiro
tristemente
transitava feito um traste
coberto de trapos
trôpego
cravava os dedos e as unhas
na carne da terra
como quisesse salvar-se da queda
e estava no chão
depois seca os olhos
engole a saliva
ajeita gravata e bolsa
e sai falsamente altivo
abraçado ao ofício que lhe mata
- o que o desespera
é entrever que em si não há cura
para o imenso medo da quimera.
transitava feito um traste
coberto de trapos
trôpego
cravava os dedos e as unhas
na carne da terra
como quisesse salvar-se da queda
e estava no chão
depois seca os olhos
engole a saliva
ajeita gravata e bolsa
e sai falsamente altivo
abraçado ao ofício que lhe mata
- o que o desespera
é entrever que em si não há cura
para o imenso medo da quimera.
sábado, 11 de abril de 2015
Era uma enxurrada descendo a ladeira. E eu uma menina ilhada na calçada. Deixei que me molhasse e assim, quando dei por mim, estava casada: Para sempre.
Ela é ciumenta. Fica amuada quando não a procuro, quer que eu a beije toda, todo dia, virgem Maria! como é dengosa. E não me dá prosa sempre que eu quero... Hoje não veio. Com uma lua dessas? Acerto em cheio que está vagando, fresca e vadia, noutras paragens.
Ela é meu guia de viagens. Quem me consola quando angustia. Minha esposa. Poesia.
domingo, 22 de março de 2015
frases feitas, fases fixas
para abrigar os homens
brancos pretos amarelos lilases
trago nas mangas
emoções capazes
de me impulsionar a marte
por vezes
mostra-se em mim
a vênus maestra
ministrando doses
de pequena morte
para ser feliz
mantenho o coração deserto
a imensa coleção de ossos
e o portão aberto.
brancos pretos amarelos lilases
trago nas mangas
emoções capazes
de me impulsionar a marte
por vezes
mostra-se em mim
a vênus maestra
ministrando doses
de pequena morte
para ser feliz
mantenho o coração deserto
a imensa coleção de ossos
e o portão aberto.
quarta-feira, 4 de março de 2015
sábado, 21 de fevereiro de 2015
falamos de sua volta
e eu volto a ter seis anos:
cabelos trançados
e doces planos
de brincar de casinha
que alegria que é
ter uma amiguinha
pra tomar chá
de mentirinha
em xicrinha
rosa de plástico
cuidar dos nossos bonecos
e fazer do tempo um elástico
que não pára de esticar...
não vejo a hora de você voltar
pra gente fazer projetos
pra gente viajar junto
pra gente beber bem muito
pra gente malhar e rir
pra gente inventar assunto
pra gente comer pipoca
vendo filme de chorar.
falamos de sua volta
e eu fico assim: menininha
anseio sua chegada
doce amada amiga minha.
e eu volto a ter seis anos:
cabelos trançados
e doces planos
de brincar de casinha
que alegria que é
ter uma amiguinha
pra tomar chá
de mentirinha
em xicrinha
rosa de plástico
cuidar dos nossos bonecos
e fazer do tempo um elástico
que não pára de esticar...
não vejo a hora de você voltar
pra gente fazer projetos
pra gente viajar junto
pra gente beber bem muito
pra gente malhar e rir
pra gente inventar assunto
pra gente comer pipoca
vendo filme de chorar.
falamos de sua volta
e eu fico assim: menininha
anseio sua chegada
doce amada amiga minha.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Quando em sonho
pra mim te trago
e me surpreendo
com teu olhar que me lia
sem medo ou engano
meus olhos, vertendo dor
se abrem invadidos pela luz que já toma o quarto.
Sem ar
me afogo na luz e na lembrança
que me anula, me reenluta
e é uma solidão absoluta
que em cada poro se escancara.
E me me violenta tanto esse processo
que por um instante
até creio e confesso:
não doeria nada
se, como a tua,
minha vida também findasse.
pra mim te trago
e me surpreendo
com teu olhar que me lia
sem medo ou engano
meus olhos, vertendo dor
se abrem invadidos pela luz que já toma o quarto.
Sem ar
me afogo na luz e na lembrança
que me anula, me reenluta
e é uma solidão absoluta
que em cada poro se escancara.
E me me violenta tanto esse processo
que por um instante
até creio e confesso:
não doeria nada
se, como a tua,
minha vida também findasse.
Assinar:
Postagens (Atom)