"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



segunda-feira, 20 de abril de 2015

Prisioneiro

tristemente
transitava feito um traste
coberto de trapos
trôpego

cravava os dedos e as unhas
na carne da terra
como quisesse salvar-se da queda
e estava no chão

depois seca os olhos
engole a saliva
ajeita gravata e bolsa
e sai falsamente altivo
abraçado ao ofício que lhe mata

- o que o desespera
é entrever que em si não há cura
para o imenso medo da quimera.




Um comentário:

Roberto Mibielli disse...

Liberto

Liberto
Transitava tralhas
Triturando lembranças
Não atentava para o triste
Era tropeiro de sonhos

Tinha as unhas roídas
Laceradas de realidade
Mesmo assim flutuava
Agarrado a recordações

Bebia a terra nos olhos passados
Bêbados do ofício de arar desejos
Maquinava os próprios movimentos
Insano e leve como a Patagônia

Não vale a pena disse entre dentes
E fez vigorar sua própria lei de Descartes