"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Placidez

O sol morre e renasce, reverente,
à paixão com que queimamos nossa noite
tua pele toca a minha lentamente
e fogo brando nos consome num açoite...

Com a língua lavo as letras tatuadas
em teu corpo rijo e solto de menino
nossas bocas foram desenhando estradas
onde apenas o prazer foi peregrino.

Fortalece-me essa juventude tua
debruçada sobre a minha carne crua
nua e livre de pudor e de maldade:

nos amamos até que surgisse o dia
estudantes de nossa anatomia
e rendidos ao desejo que nos arde.

PS:
Essa ânsia que, há tempos, meu amigo,
já nos enche dessa sede e dessa fome,
é doçura, e saciada, vira abrigo
nos unindo sob um céu que tem teu nome.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Novo ano...

Foram 113 poemas no ano passado. 85 seguidores cadastrados, muitos outros visitando. Chegando à casa das 10 mil visualizações. Num blog de poesia, feito por uma poeta sem grandes pretensões, que fugiu de São Paulo para viver no mais recôndito e extremo norte, isso é considerável.
Em 2012, o blog vai continuar. No ritmo que o mundo mandar, o mundo do meu coração, que rege as minhas palavras. Agradeço a cada um que veio aqui, que comentou, que clicou dando sua opinião, que sugeriu temas, etc. Já começo pedindo desculpa a quem pediu um poema de ano novo... por mais que eu tente, ainda nesse dia 04, tudo me parece muito igual...
Abraço a todos, feliz 2012!



ANO NOVO

Eu, poeta do XIX
embriagada de luz e poesia 
sinto a energia que me dedicas
quando inicia esse dia...

Mas é fato que ando
envolta em medo
e a causa não é outra,
não é segredo: 
a outro meu coração tem pertencido.

Sei que é um outro 
que me presenteia
com ausência,
negligência,
e outras formas de dor
diversas.

Ainda assim,
querubim,
não haverá novo ensaio
antes que feneça
esta antiga peça...


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Há gente que ama muito
há gente que ama um pouco
e há gente que ama muito pouco.

Quando eu tenho lágrimas
para alguém
quando penso em perdão
para alguém
quando penso em valor
como amor,
fé,
calor e vida
para alguém,
na minha prece
 - seja pra quem for -
eu primeiro penso e peço
para quem
tem e oferece
muito pouco amor.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Noite feliz


Fez-se presente
de natal
e - sem amor, pudor ou horror - 
entregou-se desembrulhada
ao portador.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ceia de natal

Perfumada
põe vestido
sapato
batom
vermelhos.

E torce
para que a comam 
com os olhos.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Árvore genealógica

Geralda
uma mulher branca
fugiu com um índio
tiveram filhos
e não foram felizes para sempre.

Benvinda
uma mulher branca
fugiu com um negro
tiveram filhos
e não foram felizes para sempre.

Wanda e Lucas
filhos de brancas fugidas
fugiram juntos
tiveram filhos
e não foram felizes para sempre.

Eu filha
eu fruto,
admito:
acredito na fugaz
felicidade das fugas
e nas fugas
como felizes finais.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Bandido assassinando uma mulher. Goya, Museu do Prado. 



Raciocinei a semana toda
mastigando ausência e engolindo o nó
espalhada em horas carregadas de mágoa,
desfeita em água
e voltando ao pó.

Um átimo de sua atenção
e com o coração na boca
destruo louca
todos os planos de resistência.


Depois do efêmero gozo
não há pose que me faça
sentir melhor...
Maldita consciência!
A culpa me abraça e corrói:
é pura demência
essa paixão que me dói.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sonho com Alice

pelo céu
nenhum sinal
denunciava
sua queda,
mas a deusa
passeava
por meu lençol
mantendo-me sob açoite.

e o que mais explicaria
esse rastro de sol
iluminando minha noite?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Quando

quando tua mão
e teu silêncio reverente
chegarem a mim,
quando tuas palavras
se alojarem em meu peito
e não houver pensamentos 
nos dividindo no fogo do leito,
a luz da lua
será só luz de lua
e nunca mais me ferirá desse jeito.