que dor é essa
que se esconde sob a pele
disfarça-se de sorriso
e sorrateira
derruba-me
certeira
com somente uma pancada?
quem sou nestas horas
de riso angustiado -
gargalhada envelope
cobrindo carta anônima e muda?
não me reconheço na manhã mais linda
na hora infinda
de novos poemas
não me reconheço nas palavras de amigos
nos livros antigos
nas coisas pequenas
chove
sob a ensolarada e decidida
que decide pela vida.
subcutânea,
sobrevive a furiosa
louca que grita o desespero
órbitas vermelhas
gutural expressão do horror
- depois do embate das gêmeas
reparo os pedaços da fêmea
sob olhar inclemente de culpa -
portar no mundo um teto-corpo
abalado pela convivência passional
de vida e morte...
seria sorte?
.