"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



sábado, 8 de maio de 2010

Refletindo

Mais vale um tempo parado
que a corrida contra o muro
meu espaço anda apertado
pra coisinhas sem futuro
e a poesia moleca
que me faz vibrar a toa
ora surge de um bueiro,
duma poça, uma lagoa
- depende de quanto choro.
por isso tudo ignoro
e esqueço do que me enjôa:
mais vale um tempo parado
que a corrida contra o muro
ando pagando dobrado
pra destruir o obscuro
desejo estranho que em minhas
entranhas mantém-se vivo.
No espelho espatifado
Do verso esparso e tolo
Reflexo multiplicado
Daquilo que me arrebata:

é a vida
quem me mata.

11 comentários:

Roberto Mibielli disse...

caraca, menina, assim vc quebra tudo!!! Tá muito lindo esse poema. especialmente esse final.

Elimacuxi disse...

Miba querido
só andei pensando nos reflexos do que tenho visto
bondade sua, mas muito bom receber o elogio...
beijo!

Sandálias do Outono disse...

Eli, passei por aqui só para confirmar minhas suspeitas. Não iria dizer absolutamente nada, mas o cabeçalho do blog me convidou.

Aqui estou para julgar seus equívocos. Você diz:

Mais vale um tempo parado
que a corrida contra o muro

Como assim? “Correr contra”, seja lá contra o que for, é poesia pura! Um tempo parado nem prosa é!!! E você continua:

meu espaço anda apertado
pra coisinhas sem futuro

Se assim é, pois é, pois é: CORRA CONTRA O MURO QUE LHE OPRIME! Qual é o futuro que você vê num tempo parado? Você tem uma procuração assinada por Deus para parar o tempo?!

Seu poema continua:

e a poesia moleca
que me faz vibrar a toa

“Vibrar” é uma ação, logo, não cabe no “tempo parado”. Bueiro, poça, lagoa e choro são as águas que refletem, logo, mais ação!

ando pagando dobrado
pra destruir o obscuro

Por que não construir mais obscuros, ou conviver em paz com os obscuros da vida?! Não basta o sol da poesia? E sua ladainha cresce em lástima:

desejo estranho que em minhas
entranhas mantém-se vivo.

Nhém, nhém, nhém, meu bem. Leia isso em voz alta e ouça o fanho que lhe convém! Está horrível! E olha aqui um momento de lucidez:

No espelho espatifado
Do verso esparso e tolo

Amei isso, porque tudo nesse poema está esparso e tolo! Até a conclusão é tola:

é a vida
quem me mata.

A vida não mata ninguém! Quem mata é a morte. Mas, nesse caso específico, quem acaba com você é esse poema horroroso!

De seu leitor mais simpático,

Charles Silva.

Elimacuxi disse...

Charles
E quais eram suas suspeitas????
De todo modo, que bom que aceitastes o convite de julgar, criticar, comentar
sinto-me de fato importante ao pensar no tempo que investistes para fazer essa crítica - deliciosamente ácida e bem humorada.
é verdade que é uma ladainha lastimosa
e mesmo sendo "horroroso, fanho e tolo"
você parou pra retrucar cada verso.
penso que talvez sejas o mais atencioso dos leitores que por aqui passaram, por isso, querido, volte sempre de chicote nas mãos e muito obrigada!

Sandálias do Outono disse...

Eli Macuxi,

Ser educada não mudará o gosto estragado do seu abacaxi!

Gostei de outras coisas que li, Eli. Você é doce e eu não gosto disso. Você sorri e eu não gosto disso. Você chora e eu não gosto disso. Você é poeta e disso eu gosto. Tem pegadas, sacadas e armadilhas. Gosto da floresta que você transita, fonemas surpreendendo ilhas e essa matilha de milagrosos erros. Mas você é berro, não é música! Não é feia nem bonita. Qual é mesmo a hora que você assusta? Queria sentir sua força na musculatura das rimas e nos versos brancos. Queria você menina de pé no chão. Mas você é só essa mulher que encanta. Como é mesmo o nome do processo que arranca a pele? Engraçado você se preocupar com meu tempo e perguntar por minhas suspeitas... Já reparou como o vento dá pernas miúdas a coisas inanimadas? Da próxima vez que você parar o tempo me chama pra uma cerveja, tá? Prometo matar você de sede.

E mais uma informação: o poema do Roberto tem 18 tt. Você disse que quase não notou. Releia e confira. É um poema chato, bobo, murcho, muito aquém do que ele escreve. Não elogie o que é ruim, a beleza da amizade agradece!


quem vai beijar as horas
se agora as bocas
estão indo embora

quem vai viver os planos
se os anos foram
grandes oceanos

na bucólica cidade dos meus sonhos
o amor é algo mais do que suponho
é rei e é fantasma
o amor deságua
pirateando o nada

é qu’eu fui ficando mais ao sul
e todo fim de mundo
têm um manto

é qu’eu fui perdendo mil tabus
o medo do profundo
por enquanto

(charles silva)

Roberto Mibielli disse...

O poeta é inconstante
E se acha indolor
O poeta é um roubador
De palavras
De lavras
E larvas
De antanho.

O poeta ... só tem tamanho!

Sandálias do Outono disse...

o poeta que só tem tamanho
não pode jamais
ser pequeno

e se por um instante
ele muda a cor
procura o perfume
jamais o veneno

um verbo inconstante
conjuga-se na vida
sem dor

um verme impotente
sobrevive com frases
de adulador

(charles silva)

Roberto Mibielli disse...

Delicado como uma varinha
de condão que perdeu
sua função mágica
nas mãos de uma fada
madrinha desesperada
o poeta marreta conceitos
fustiga trejeitos
não permite gauches
nem guaches
apenas milho espalhado
num canto
e algum espanto
de improviso
o poeta... É dor de ciso

Roberto Mibielli disse...

que não se assustem os leitores, nem a dona do blog. A amizade é muito antiga, a acidez já dominou o estômago de ambos, mas temos um vasto estoque (e estocadas) de antiácidos... E enfim, embora em seara alheia, reencontramos o rumo do terçar versos...meio de improviso, vá lá, mas...
Julguem por si (e pelo valor dos versos, não tanto da polêmica).
Beijo, Eli, espero que o barulho acorde os blogs dos vizinhos...rs

Elimacuxi disse...

diante de tanta discussão, só tenho a dizer que o título do poema original ficou bem adequado...

Sandálias do Outono disse...

houve um tempo
em que o ciso
mastigava a mente do poeta

o tempo apressa
muda a fome
e a seta que arremessa

a visão é romântica
crescem músculos
sangram veias
mas a bílis é orgânica

o juízo do dente
forma a palavra
que pronta
se despede

a loucura do mago
recebe a criança
numa alegria de estômago
música e dança

e a pétala roubada
espeta a fragrância inquieta
da mata

(charles silva)