"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



terça-feira, 18 de maio de 2010

IV

Plantar poesia
Prantos prontos:
Pétalas caindo.

7 comentários:

Sandálias do Outono disse...

Eli Macuxi,

Aqui, seu haiku (haikai, haicai) acerta ao explorar a sonoridade do “p”. Você traz para o poema o baque da picareta na terra ao enterrar sua dor. Mas não é apenas de sentimento que um poema vive. Todos sentem, mas a poeta “surpreende” o sentimento. E nisso você erra outra vez no final: “pétalas caindo”. Dizer isso combina com o sentimento murcho da dor, tudo bem, mas não mostra a poesia dessa hora encantada em que a poeta se encontra com a fragilidade e a delicadeza. Numa frase: a dor é linda! Se eu pensar que a dor é feia, então sou feio quando a sinto. E sou “um homem comum”, não poeta. Um toque: quando você usar uma frase comum, use-a para surpreender. Se você fosse Djavan, decerto teria escrito: “Você deságua em mim e eu...
a) molho
b) aceito
c) recebo
d) espumo
e) me banho
f) me salgo
g) etc

Você teria recorrido a uma ação e, por isso, usado um verbo. Mas Djavan pôs um substantivo! Olha aí a surpresa! E como ficou lindo! “Você deságua em mim e eu OCEANO!!!”

E se você concorda que ficou lindo, lindo também ficará seu haicai (por ora, ironicamente, haiku). Basta você juntar a pétala caída, comum, mundana e cafona, e perfumá-la com suavidade, força, permanência e multiplicidade. Aposto que o efeito resultará em beleza irresistível!

“cerâmica da morte
os santos
não tiveram sorte”

(charles silva)


“escândalo
a lua semicolcheia
um anjo”

(charles silva)

“duas folhas na sandália
o outono
também quer andar”

(Paulo Leminski)

“Cris
Crise
A gente quis
Kiss

Cris
Crazy
A gente quase
Crase”

(Roberto Mibielli)

“Plantar poesia
Prantos prontos:
Pétalas caindo.”

(Eli Macuxi)

Tenha uma linda semana!

Meu beijo.

Charles.

Roberto Mibielli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberto Mibielli disse...

Ei, Eli,
toda essa polêmica com o Charles redespertou a minha vontade de terçar versos como fazíamos, eu e ele, nos bares de Floripa na década de 90. Vamos brincar de fazer um (outro) poema em conjunto, como vc fez com o poeta catarinenese (sem desmerecer o seu poema, que pra mim, está muito bom!)?

Vc escreve:

Plantar poesia
Prantos prontos:
Pétalas

e eu acrescento, no lugar de "caindo" a palavra composta "par(T)indo", de modo que fique

Plantar poesia
Prantos prontos:
Pétalas par(T)indo.


Isso me lembra um pouco o jogo de bem-me-quer, mal-me-quer e seus 50% de chances de dar errado, me lembra uma mulher dando à luz e um monte de outras coisas, como um "par", com tesão, "indo" e coisas mais triviais, como a partida de alguém e uma flor se abrindo.
Além do quê, o círculo de sonoridade dos pês "PP", bem notado pelo Charles,
se completa..rs
Topas?
Um grande Beijo,
Mibi

Elimacuxi disse...

Charles
se você vê tristeza e morte em "pétalas caindo" não deve conhecer a festa do Sakura... eu vejo aquela imagem e fico arrebatada, e foi nela que pensei ao escrever. Seus olhos atribuíram feiúra à dor, não foram meus versos.
Além disso, creio ser desnecessário o exemplo do Djavan. Entendo o que seja "surpreender".
Miba
partindo me agrada
ainda que tenha descartado a idéia no rascunho exatamente por crer que a imagem do Sakura seria prejudicada...
Mas adoro vê-los por aqui, dando vida a esse espaço.

Sandálias do Outono disse...

Eli, minha macuxi dos penachos negros e flechas doces, não quero entupir você com esses aproches. Corrija meu guarani, se for o caso, ou acentue seu tupi a gosto. Meu golpe não foi o que você acusa. A cousa é outra, basta você reler o que, gentilmente, escrevi. “Pétalas caindo” é batido demais, entende? Claro que não entende, pois você dispensou o exemplo do Djavan e vem me falar da festa do Sakura. Ei, psiu, tem Coca-Cola e pastelzinho?! Não sei o que você bebeu, mas não lhe caiu muito bem! Deixo aqui um buquê de “pétalas caindo”:

“Você é luz, é raio, estrela e luar
Manhã de sol, meu iá iá meu iô iô”


"Perguntaram pra mim
Se ainda gosto dela
Respondi: tenho ódio
E morro de amor por ela"

E para finalizar entrego a você uma plantação de roseiras com todas as "pétalas caídas":

ESTOU APAIXONADO
(João Paulo & Daniel)
Quero beber o mel de sua boca
Como se fosse uma abelha rainha
Quero escrever na areia a sua história
Junto com a minha
E no acorde doce da guitarra
Tocar as notas do meu pensamento
E em cada verso traduzir
As fibras do meu sentimento
Que estou apaixonado
Que este amor é tão grande
Que estou apaixonado
E só penso em você a todo instante
Eu quero ser o ar que tu respiras
Eu quero ser o pão que te alimenta
Eu quero ser a água que refresca
O vinho que te esquenta
E se eu cair, que caia em teu abraço
Se eu morrer, que morra de desejo
Adormecer dizendo que te amo
E te acordar com um beijo
Que estou apaixonado
Que este amor é tão grande
Que estou apaixonado
E só penso em você a todo instante
Quero sair contigo em noite enluarada
Dois adolescentes pela madrugada
Pra viver a vida sem pensar em nada
Que estou apaixonado, que estou apaixonado
Que este amor é tão grande
Que estou apaixonado
E só penso em você a todo instante
Que estou apaixonado, que estou apaixonado
Que este amor é tão grande
Que estou apaixonado
E só penso em você a todo instante

Meu beijo!

Charles.

Roberto Mibielli disse...

Neste caso, quem excluiu o segundo comentário fui eu, pq ele foi postado antes de ter sido terminado. A Eli é inteligente demais para censurar comentários. Mas EU tenho meus limites...não escrevo qualquer coisa, de qualquer maneira e removi o que não estava pronto.

Sandálias do Outono disse...

Doutor Roberto, quanta dor! Tudo que por aqui pichei não passa de provocação de muito mau gosto, reconheço. Já me desculpei com Eli e agora peço desculpas a você. Eu só queria "zoar" com você, mexer com seus nervos, instigar sua ira, mas era brincadeira, entende? Eu trouxe você para um terreno desconhecido, o da inconsequência infantil, terra da poesia bruta. Eu sabia que isso deixaria você de saia justa, meu Obelix "escocês". Foi uma maldade minha, sagitarianices surreais e antipáticas. Prometo não fazer mais isso com pessoas que você gosta e considera bastante. Mas as que você não gosta serão convidadas a brincar comigo de agulha no olho e debaixo das unhas, de doçura e de tortura, enfim, empalações diversas.

O Woody Allen que existe em mim só vê graça em Sade!!! (Isso é uma piada! Não leve ao pé da letra, por favor!)

Com sede de viver o bem e o mal (outra piada),

Charles Silva.