amanheci cansada
de todas as caras onde me abrigo
espalhadas como o campo
que o espantalho do espelho mira
hoje não haverá amigo velho
que dilua do dia esse gosto acentuado
de que vida voa e a morte espera
hoje acordei uma fera
com meus digeridos versos-rascunho
arquivados de próprio punho num autoimposto
sufoco.
hoje todo mal é pouco
porque o sol é louco
a pele está sensível
e a carne do coração
maturada.
Hoje é piada errada
porque, de mim,
amanheci cansada.
"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
sábado, 13 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
correspondida
você me apetece
e a vida transborda
feito bárbara horda.
para minha alegria
o som que mais te apraz
está mais nas loucas
palavras sombrias
das minhas roucas
cordas vocais.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
presa
são suaves seus olhos
e me tocam
quando fecham
em silêncio
com sussurros
nós sonhamos
em degredo
e são ávidos
seus dedos
que me tocam
eu receio que meu medo se perdera
e pressinto que minh'alma ganhou dono
me permito ser tocada a noite inteira
alma e corpo olvidados do abandono
é assim, em pleno voo
que você me amarra:
madrugada e eu ecoo
feito as cordas
da tua guitarra.
e me tocam
quando fecham
em silêncio
com sussurros
nós sonhamos
em degredo
e são ávidos
seus dedos
que me tocam
eu receio que meu medo se perdera
e pressinto que minh'alma ganhou dono
me permito ser tocada a noite inteira
alma e corpo olvidados do abandono
é assim, em pleno voo
que você me amarra:
madrugada e eu ecoo
feito as cordas
da tua guitarra.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
lua de mel
deveras, avivo-me
e me suporta o som
de teu violão...
Ave vinho!
e tudo tão suave...
arde em nós
véspera de abortado e eterno feriado!
domingo, 30 de setembro de 2012
Redoendo
Nos dias em que você se ia
fazia calor e eu morria
de trabalhar de me preocupar
de correr e corroer
de dor ao ver você doer
você voltou, votou, fez o que quis
eu sei que foi assim e foi feliz
ainda que a despedida me tenha deixado
esse gosto de um tudo inacabado...
sempre assim, em setembro/outubro -
sinto reabrir a ferida
a memória dolorida e os olhos rubros.
certa de que fizemos o melhor de nós dois
busco superar a sombra
de sobrar sozinha
para ver o que vem depois.
fazia calor e eu morria
de trabalhar de me preocupar
de correr e corroer
de dor ao ver você doer
você voltou, votou, fez o que quis
eu sei que foi assim e foi feliz
ainda que a despedida me tenha deixado
esse gosto de um tudo inacabado...
sempre assim, em setembro/outubro -
sinto reabrir a ferida
a memória dolorida e os olhos rubros.
certa de que fizemos o melhor de nós dois
busco superar a sombra
de sobrar sozinha
para ver o que vem depois.
sábado, 29 de setembro de 2012
Poema para Roberto
quando o ar lhe falta
e a dor lhe farta
quando a cama branca
e o incerto futuro
nos estapeiam e assustam
reafirma-se em mim a certeza
das horas sorridentes
e a natureza
das escritas carícias
e das carícias proscritas
que nossos olhos decifram
meu Roberto, meu poeta
esse poema
sobre o amor dos nossos zói
é uma carta pra dizer
que tua dor também me dói.
e a dor lhe farta
quando a cama branca
e o incerto futuro
nos estapeiam e assustam
reafirma-se em mim a certeza
das horas sorridentes
e a natureza
das escritas carícias
e das carícias proscritas
que nossos olhos decifram
meu Roberto, meu poeta
esse poema
sobre o amor dos nossos zói
é uma carta pra dizer
que tua dor também me dói.
domingo, 23 de setembro de 2012
Olhos do cão
Quando assim
amanhece o cão
em mim
não adianta, nem vem,
por favor
'Seu' amor.
Nem vem
porque eu fico apática
não suporto seu rabo que balança.
'Seu' amor, não insista
meu olho de cão não vê graça em criança
nem em balanço de praça
nem em joguinho com pista...
Eu fico prática
e com esses olhos do cão
eu choro mas vejo
que tudo parece lampejo vago
e ilusão de ótica.
amanhece o cão
em mim
não adianta, nem vem,
por favor
'Seu' amor.
Nem vem
porque eu fico apática
não suporto seu rabo que balança.
'Seu' amor, não insista
meu olho de cão não vê graça em criança
nem em balanço de praça
nem em joguinho com pista...
Eu fico prática
e com esses olhos do cão
eu choro mas vejo
que tudo parece lampejo vago
e ilusão de ótica.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
nossa terça
então que há esse vento
nos acariciando a pele por dentro
e o provocado arrepio
há o som dessas cordas
invadindo-nos feito hordas
de um povo selvagem e frio
há o olor dessa fumaça
meu corpo que o teu abraça
paz, encanto, gesto, cio.
nos acariciando a pele por dentro
e o provocado arrepio
há o som dessas cordas
invadindo-nos feito hordas
de um povo selvagem e frio
há o olor dessa fumaça
meu corpo que o teu abraça
paz, encanto, gesto, cio.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
o som do anseio
quando toca
a lira do meu desejo
delira em mim o delito
soa selvagem meu grito
em gesto ardente e sem pejo
quando ele vibra
cada fibra do que sou se estira
o sol atira seus raios
nos medos
e segredos vários
expiram
quando soam
essas notas infernais
os meus poros invadidos
são esgotos de gemidos
engastados no azul da madrugada
se ele soa eu silencio
e mais nada.
a lira do meu desejo
delira em mim o delito
soa selvagem meu grito
em gesto ardente e sem pejo
quando ele vibra
cada fibra do que sou se estira
o sol atira seus raios
nos medos
e segredos vários
expiram
quando soam
essas notas infernais
os meus poros invadidos
são esgotos de gemidos
engastados no azul da madrugada
se ele soa eu silencio
e mais nada.
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