"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Ser mulher
Para piorar meu desprezo
pelo dia e a vazia retórica
meu corpo argumenta com o peso
persuasivo da cólica.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Sem medo
as horas
vão deslizar suaves pela pele
como beijos mornos e sutis
e se abolirá a vertigem dos dias
num desejo pintado a giz
nenhum encanto ou desespero
para se guardar na lama da alma
nem gosto nem gesto nem cisco nem susto
tudo tranquilo, nem pedra, nem ar
imagino assim, isso de não ter corpo
e ainda que não anseie
não temo o estar morto.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
"viver não é preciso"
quando manhã terra firme corria o engano
olhos marejados numa cabeça de rocha
parado e perdido entre ondas
de pensamentos sem rota
se desbota e,
quando tarde arde o que o irrite
dorme numa profundeza sem limite
quando noite, recorre sem plano
ao mirador do peito
e sua tocha-farol
lança-se no mar de perdidas cabeças
sem lemes nem mapas nem medos
navega por entre sombras e segredos
como quem a si mesmo atravessa
madrugada avança
e o ciclo recomeça.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Calada
meu silêncio não é paz
é antes vulcão contido
lavando cada canto
me endurecendo por dentro
para quem quer ver
é nítido
o sorriso estático
na boca tensa
e o olhar de quem simplesmente pensa
em nem mais ser
é antes vulcão contido
lavando cada canto
me endurecendo por dentro
para quem quer ver
é nítido
o sorriso estático
na boca tensa
e o olhar de quem simplesmente pensa
em nem mais ser
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Erva daninha
quando se espalha
não tem jeito...
mágoa plantada
faz brotar água salgada
é pedra no peito
seca a flor,
gasta a terra.
mágoa plantada
e a vida
emperra
prometo não adubá-la
mas peço por você e por mim
tem cuidado com o que lança
no jardim.
não tem jeito...
mágoa plantada
faz brotar água salgada
é pedra no peito
seca a flor,
gasta a terra.
mágoa plantada
e a vida
emperra
prometo não adubá-la
mas peço por você e por mim
tem cuidado com o que lança
no jardim.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Antes tarde
sem tabus nem tabuleiros
a tarde
ardeu em nossas peles:
braseiro.
eram notas desencontradas
os gemidos
e no calor
os nossos pesadelos mais temidos
afogaram-se em mares de suor
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Para Gabi*
Gosto quando a carne grita
quando a palavra brita exige reação
gosto de ver o humano quebrando
o que se convencionou
deveria ser equilibrado, metódico e imparcial
porque humano que é humano ferve
e gosto de quem ferve antes do final
de quem não consegue
apenas ficar olhando da janela
(hoje estou gostando muito,
sem igual,
da marília gabriela.)
*por seu 'porra' e tudo o mais durante a entrevista com Silas Malafaia
quando a palavra brita exige reação
gosto de ver o humano quebrando
o que se convencionou
deveria ser equilibrado, metódico e imparcial
porque humano que é humano ferve
e gosto de quem ferve antes do final
de quem não consegue
apenas ficar olhando da janela
(hoje estou gostando muito,
sem igual,
da marília gabriela.)
*por seu 'porra' e tudo o mais durante a entrevista com Silas Malafaia
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Rudeza
todo dia luz
e a claridade tanta
daquele amor o cegava
um dia amanheceu treva
comeu e cuspiu no prato
pisou no rabo do gato
gastou desdenhou rompeu
fez com o amor uma mancha na parede
pra lembrar que o mundo é rude
e não varia
afogou-se
e morreu de sede.
e a claridade tanta
daquele amor o cegava
um dia amanheceu treva
comeu e cuspiu no prato
pisou no rabo do gato
gastou desdenhou rompeu
fez com o amor uma mancha na parede
pra lembrar que o mundo é rude
e não varia
afogou-se
e morreu de sede.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Despreparo
quantas patas têm
as formigas do teu desdém?
em mim procuram comida
açúcar, trabalho, guarida?
por ora descanso
bebendo formicida.
as formigas do teu desdém?
em mim procuram comida
açúcar, trabalho, guarida?
por ora descanso
bebendo formicida.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Processada
cansada
de fazer cara de fada
para o falho, o feio e o fútil
cansada de fazer finuras
a quem nada entende
cansada de fingir
que fiascos são festas
admito
há certa crueldade mesmo
em dizer cada palavra
proferir verdades
como quem joga facas
há vingança
contra o que é vil
e sem valor.
Assinar:
Postagens (Atom)