"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Se me concedesse
o gênio
um desejo,
seria a palavra definitiva
e eu,
intuitiva,
descreveria 
todo esse livro
de quinze dias.

e o faria assim,
num termo,
sem prefácio nem fim.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ela fala
falta, furta
fere e afere desejo
e o que mais em si
for festejo:

Tátil,
dócil...

É de fato
quase fácil,
não fosse
a fita amarela
sobre ela:
 - FRÁGIL.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Do meu romantismo - Refeito

Acusação: romântica

E não sou?
Sou lobo de matilha
do tipo que compartilha
o uivo para a lua.
Apaixonada
cometo pequenos e calculados delitos:
roubo
beijos
sequestro-me
por horas
mato
saudade e desejo.
Guardo na boca vazia
o sabor da noite passada
ainda que me digam 'louca'
- que heresia! -
toda aventura será pouca

"E digo mais"
meu rapaz:
em tempo de tanto egoísmo
e medo do outro e engano
e ciúme e posse e mentira
luto e danço
sob outra lira.
Em tempo de gente que pira
por carro, casa e grana
eu só posso achar bacana
amar assim, por amar.

Se sou romântica? Sou.
Nada mais a declarar.

O poema original publicado às quatro da manhã no facebook merecia uma mexida. Foi o que fiz. Se quiser conferir o original, acesse https://www.facebook.com/note.php?note_id=243581875717965




domingo, 29 de janeiro de 2012

Biutiful

Amanheço tarde                                                                    Amanheço tarde
já é tarde                                                                               já é tarde
o sol no meio...                                                                      o sol no meio...
penso naquele que me invade                                                 Em mim nem sombra
e por quem arde                                                                    de cuidado
meu anseio.                                                                           ou de receio.

De novo em brasas
por amor e vício
saltam sem asas
para o precipício.

sábado, 28 de janeiro de 2012













Small Pleasures, Kandinsky -1913.
(Imagem escolhida por Andréa Cordeiro)






Havia cor 
e bonecas e bruxas
e crianças cheias de coragem 
e amor.
Havia um trator azul
contrastando com a lama
descontrolado
rumo ao sul.
Havia esperança
em uma cabeça prateada
que falava silenciosa
expectativa e desejo.

E eu,
observando a tudo
mesmo cheia de medo
não queria acordar tão cedo.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Enquanto os outros dormem...




Essa minha ausência crônica de sono
é patética
nasceu de um maldito abandono
se faz musical, literária, cibernética...

Depois de anos de terapia
já dá pra fazer poesia
dessa maldita patologia!

Eu sei que o caso é caótico
e que assim sempre houvera sido...
e hoje, um gótico
é meu 'tarja-preta' preferido.



Nick Cave...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

eu me afogo
quando me afagas
eu me afogo
quando me faltas
eu me afogo
quando me falas
eu me afogo
quando me falhas

porque fuga
não me fascina
e porque és mar
não piscina.



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

imagem retirada do blog Letras de Sangue

Anoitece, ela desperta...
na noite deserta
a passos lentos
o som de seus saltos
fere os pensamentos.

Por toda a noite
é fagulha:
dança atiça gargalha...
triste alegria,
falsa fantasia,
vida em falha.

e antes de amanhecer
se retira
 - solitária - 
a vampira.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

domingo, 22 de janeiro de 2012

resposta

vítima e algoz
escravo e senhor
lento e veloz
que mais seria?

chega
então toca dentro
me desentoca e alimenta
enleva o verso
verte desejo por toda parte
vira arte
enche a vida
esperança e cor
que mais seria?
que mais seria?

vem
então desenvolve sonho
devolve o sono
estabelece paz
e é tudo invertido:
em perspectiva
enche a vida
alegria e sabor
que mais seria?
que mais seria?