"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007) De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Se me concedesse
o gênio
um desejo,
seria a palavra definitiva
e eu,
intuitiva,
descreveria
todo esse livro
de quinze dias.
e o faria assim,
num termo,
sem prefácio nem fim.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Ela fala
falta, furta
fere e afere desejo
e o que mais em si
for festejo:
Tátil,
dócil...
É de fato
quase fácil,
não fosse
a fita amarela
sobre ela:
- FRÁGIL.
E não sou?
Sou lobo de matilha
do tipo que compartilha
o uivo para a lua.
Apaixonada
cometo pequenos e calculados delitos:
roubo
beijos
sequestro-me
por horas
mato
saudade e desejo.
Guardo na boca vazia
o sabor da noite passada
ainda que me digam 'louca'
- que heresia! -
toda aventura será pouca
"E digo mais"
meu rapaz:
em tempo de tanto egoísmo
e medo do outro e engano
e ciúme e posse e mentira
luto e danço
sob outra lira.
Em tempo de gente que pira
por carro, casa e grana
eu só posso achar bacana
amar assim, por amar.
vítima e algoz
escravo e senhor
lento e veloz
que mais seria?
chega
então toca dentro
me desentoca e alimenta
enleva o verso
verte desejo por toda parte
vira arte
enche a vida
esperança e cor
que mais seria?
que mais seria?
vem
então desenvolve sonho
devolve o sono
estabelece paz
e é tudo invertido:
em perspectiva
enche a vida
alegria e sabor
que mais seria?
que mais seria?