"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Foco no belo

Três horas,
impiedosa a chuva rompeu com a secura
e tudo fora lama e lágrima
 - fora eu, que era só
e deitada entre José e Pilar*
pensava antes no que a vida
nos nega nos quer legar.

Um raio rompeu com a árvore
a porta dos gatos batia
o celular sem sinal, 
a cor da vida que ardia...
e eu dormindo sem mal
entre um casal tão feliz:

pilares que mantém 
José de pé
Pilar 
e quem seria o mago?

Quase não senti o horror
da noite em claro
da cidade alagada
e da vida,
negada e legada.

Do amor de José e Pilar
extraí tanta beleza
que dormitei em Boa Vista
e acordei em Veneza.


*
José e Pilar, filme de Miguel Gonçalves Mendes.

3 comentários:

Yule Oliveira disse...

Adorei, Eli! Eu é que agradeço por ter inspirado você a fazer um poema tão bom! :)

Roberto Mibielli disse...

Amei o poema e quero ver o filme. Onde consigo?

Elimacuxi disse...

marca uma sessão na tua casa, eu levo o filme Mibi.