"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



terça-feira, 5 de julho de 2011

meu fanatismo religioso

Odeio contratos, prefiro as dores
odeio amores de contadores
amores descrentes, burocráticos, organizados
amores de ligue não que eu também não ligo
"amores de amigo".

Será que é o mundo mesmo assim?
Ninguém mais a fim de ir ao fundo
afogados no imenso e imundo a-mar,
fugitivos do profundo da paixão?

Faz-me falta a loucura barata de pó sem pó
paixão que afaga e afoga a dúvida
paixão-crença em si, espelhado no outro,
paixão-poder de dar nó no destino.
Onde agora o encher-se de ser, o ser grande e conter o mundo:
velho-menino, santa-meretriz?
Fanática, nunca me farto da paixão-fé de criar começos
acreditando piamente em final feliz.

7 comentários:

Brunno Almeida disse...

`Sempre vi q a senhora tinha o dom, poesia de boa leitura, otimo! fuis!!

hélio dantas disse...

às vezes, penso que, se fosse nesse mundo de facebuks e sms, eu jamais teria entrado nessa de poesia, pois foi em conversas de varanda e trocas de cadernos, ideias, risadas, que uma amiga me levou pra esse mundo.

a gente fica triste, mas sonha ainda assim. os espaços são outros, as dinâmicas são outras, e a gente insiste em afetar de alguma maneira.

beijo.

Roberto Mibielli disse...

ai, senhora,
o que me dói
é a hora
em que o amor
burocrata
erra de carimbar no peito
e parte escorreito
para a virilha...

fora isso é quase uma maravilha

amar o branco no preto
e amar o momento do tapa
quando você ia na rua
amando a próxima
como a ela mesma

ou quando a cisma
é com o seu contracheque
que não dá o que chegue
pro mês inteiro

amor ao primeiro
tilintar dos olhos na carteira
às boa maneira
e a concordãncia com tudo
o que é eterno enquanto
não se reparte

mas o que não parte
nem part ilha é a solidão
tarimbada do homem que sozinho
leva seu amor consigo mesmo

por isso o abismo
é mais embaixo
e o Raul perguntou
onde é que eu me encaixo...

Elimacuxi disse...

Senhor, eu não me encaixo
a não ser
em cima e embaixo -
onde a paixão orienta.

Quando o carimbo entre as pernas me bate
deixo que me arrebate
meu coração dali também se alimenta.

E enquanto a bomba trabalha
e perco meu corpo na batalha
meus pensamentos vão junto...
Isso é vício, fanatismo?
- Um dia eu paro de amar:
viro defunto.

Roberto Mibielli disse...

De fato, Senhora
Essa coisa não tem hora
De entrar em conflito
E parece até bonito
Ouvir bomba batendo em batente
E a alma da gente
cercada num canto
Obscuro do ser latente
Observando com encanto
O movimento quase aderente

De fato e de ofício, senhora
Essa coisa sem hora
Quando parca e pouca
Resseca os olhos e a boca
E quando toda agora
Tira a gente do sério
E pode por no cemitério

Elimacuxi disse...

antes saber que DISSO morro
do que em insípida vida
pedir socorro...

''SOL'' disse...

kkkkkkkkkk.....
kaguei-me de rir com essa discussão em prosa toda dos dois... no entanto... no final ficou lindo até... melhor eu me resguardar no meu canto... rs ;)