Dezenove vezes
trezentos e sessenta e cinco.
Vidas trançadas
e o susto:
tango-tragédia,
trabalho triplo.
Torceram-se os dias
em tripla traquinagem,
tripla travessura.
Dezenove vezes
trezentos e sessenta e cinco:
agora me estripa
a falta que o trio me faz.
"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Eras
passeio de bicicleta
espuma e banheira
cheiro de café
tarde de chuva na sexta
cesta cheinha de doce
acordar de pesadelo
gato caçando novelo.
Foi flor roubada à noitinha
fim feliz de campeonato
sonzinho de passarinho
surpresa, sorte, e por dentro
turbilhão de coisa nova.
Era um cavalo marinho
e amanheceu ao meu lado.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Faceira
Eu tenho trezentas faces:
face ao mundo
faço que sou,
faço que não sou,
disfarço bem.
Quando me refaço
fotografo
pra mostrar depois.
(o inferno é não crer em nada
e não saber o que vai embaixo
de toda essa carcaça transformada!)
face ao mundo
faço que sou,
faço que não sou,
disfarço bem.
Quando me refaço
fotografo
pra mostrar depois.
(o inferno é não crer em nada
e não saber o que vai embaixo
de toda essa carcaça transformada!)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Dor e distância
É dolorido o degredo
de quem mais quero comigo:
Falta-me o melhor leitor,
minha inspiração primeira
paixão que me acende a vida
o melhor amigo,
o maior amigo...
Centro de mim,
quase meu umbigo.
de quem mais quero comigo:
Falta-me o melhor leitor,
minha inspiração primeira
paixão que me acende a vida
o melhor amigo,
o maior amigo...
Centro de mim,
quase meu umbigo.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
outros cenários
Beijo morno.
Unido e úmido,
meu corpo lateja
em amazônico desejo.
(...)
Suaves
feito aves,
voam
no céu da boca
as palavras
que não dizes
no ouvido
dessa louca.
(...)
Lampejo de idéia morta:
só saudade que bate à porta.
Unido e úmido,
meu corpo lateja
em amazônico desejo.
(...)
Suaves
feito aves,
voam
no céu da boca
as palavras
que não dizes
no ouvido
dessa louca.
(...)
Lampejo de idéia morta:
só saudade que bate à porta.
domingo, 1 de agosto de 2010
Emflorcrescendo
Vejo-a.
- Nem sabia ser menina!
Erva daninha
transformada
em centro de jardim
e, um dia,
fez-se flor
de mim.
Boa história de amor
é vida transformada a cada dia...
E é também poderosa analgesia
na mirada pelo retrovisor.
- Nem sabia ser menina!
Erva daninha
transformada
em centro de jardim
e, um dia,
fez-se flor
de mim.
Boa história de amor
é vida transformada a cada dia...
E é também poderosa analgesia
na mirada pelo retrovisor.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
poço de memória
Hoje ouvi e músicas que me levaram de volta aos idos dos 80. De todas elas, resolvi compartilhar algo que foi gravado pelos Inocentes. Segundo me lembro do que estava escrito no encarte do LP (isso mesmo, LP!), Clemente inspirara-se em Augusto dos Anjos para compor a letra:
Eu
Nas calçadas pisadas de minh'alma
passadas de loucos
estalam
crânios de frases ásperas
onde forcas esganam cidades
em nós de nuvens coagulam
pescoços de torres oblíquas
só
soluçando eu avanço
por vias que se encruzilham
à vista de crucifixos
polícias,
polícios,
vícios, vícios
fixam, ilham
só
eu.
Eu
Nas calçadas pisadas de minh'alma
passadas de loucos
estalam
crânios de frases ásperas
onde forcas esganam cidades
em nós de nuvens coagulam
pescoços de torres oblíquas
só
soluçando eu avanço
por vias que se encruzilham
à vista de crucifixos
polícias,
polícios,
vícios, vícios
fixam, ilham
só
eu.
sábado, 24 de julho de 2010
três pretinhos
Um pretinho que me veste: pele sobre pele.
Um pretinho me aguça e agita: seiva quente.
junto aos dois recordo outro
agora longe...
agora longe...
Meu desgoverno:
IN (V/F) ERNO? Um tubinho e um café,
me lembram doutro pretinho
me lembram doutro pretinho
que esperei
mas deu no pé.
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