"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



sexta-feira, 9 de março de 2012

rumo à serra

Comprei um sonho no banco
em cinquenta prestações
não sei se caro ou barato
quanto custam as emoções?
Comprei parte de um delírio
encher meus olhos de flores
fazer do mundo um colírio
à noite morrer de amores
depois de beber bom vinho
e na rede descansar
me entregando aos carinhos
de alguém que saiba se dar.

Comprei um sonho no banco
e, amanhã, vou buscar...


quinta-feira, 8 de março de 2012

que espécie de dia é esse?

E o que foi que eu fiz?
não sou santa
nem meretriz
nem tiro ouro do nariz
apesar de, punk e jovem
ter tomado banho em chafariz.

Que  foi que fiz?
Não fiz nada...
até aqui
apenas segui a possível estrada
gritei, lutei, chorei, bati
fiquei abobada
odiei, amei, enlouqueci
sem que o mundo parasse por isso.

Sou pura e vício
e não me engano:
sou precipício e salvação
como todo e qualquer humano.

então por quê esses parabéns
que recebo apenas por ser quem sou
todo ano?

terça-feira, 6 de março de 2012

para a família de Davi

Olho, Dali.

eram dois cegos
eram três filhos
e nessa vida eu reconheço os trilhos

eram três filhos
eram dois cegos
e dessa cruz eu reconheço os pregos

fosse eu mais cega
e só seria espanto
sem enxergar a quanto
uma parceria chega...

fosse eu mais cega
e só veria horror
onde trilhos e pregos denunciam
uma linda história de amor

segunda-feira, 5 de março de 2012

Fervida

minha vida
é fervida
porque odeio
odeio quando me põem freio
quando me perguntam se não receio
e por que fazer rodeio?
odeio a verdade
que me acerta em cheio
quando me dizem que melhor
é o caminho do meio.

domingo, 4 de março de 2012

Foto de German Lorca, Menino Correndo. 

A razão de meu sorriso?
Amar me refaz poeta
e é tudo de que preciso.

É assim mesmo,
não é segredo
quando o amor me fala
destrói e arruína
o medo,
meu talão de desenganos
fica sem fundos
e nem o pior dos mundos
me impede de traçar novos planos.

É assim mesmo,
não dá pra negar
quando o amor em mim brota
temporariamente saio do ar
mudo de rota
e me redescubro completa.

O amor em mim é trepadeira
que se espalha brejeira
acaba com o marasmo
e trabalha
aniquilando qualquer vestígio de solidão...

É assim mesmo, tem jeito não...
enquanto o sol da rotina não o seque
é só alegria e encanto que ele me traz
por que o amor em mim é sempre assim
moleque demais.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Galo de Soba. T Chincange. in: http://kimbolagoa.blogs.sapo.pt 

sou galo
esporas e penas
e asas que pesam
mais do que libertam

sou galo
de afiado bico
olho e certifico
do mundo o deserto:
em meu canto
não canto,
desperto.

pensando no novo
no belo do ovo
talvez me perguntem:
 - por quê não galinha?
e eu, cabisbaixo
só digo o que acho:
 - a vida é uma rinha!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

da falta que sinto

minha cama morna
e com espaço a mais...
é um naco amargo
que a manhã adorna
com suaves ais.

o meu pensamento
é trilha sem volta
e de ti fervilha

logo que desperto
nado em mar aberto
sem ver praia ou ilha.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

o sol
dispersando
a solidão
sacudiu a sorte
separou-me do silêncio
secou meus olhos

soprou sereno
senhas e signos
sonhos selvagens
e sons ancestres
nos meus ouvidos

depois anoiteceu
e no coração, inserta,
salta selvagem
essa saudade
redescoberta.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

balanço dos dias

imagem de Ai Shinohara, selecionada por Andréa Cordeiro

o que cabe nesse furo
que abrimos pro futuro? 

feito peixe
nado nesse facho de luz
a janela entreaberta me conduz

receita certa pra ser feliz?
é por um triz
essa nova chance?

quero escrever a punho essa história
construir cada ponto da nova memória
encarar o que está encoberto
sem temor

ver tudo dar certo
e no fim morrer...
de amor.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

nem ligar para dor ou pesar
nem pesar o que levar
levada espalhar
travessura no caminho...
caminho ao teu lado
e ninguém mais chuva: 
sobre a viúva
- antes sozinho - 
um solzinho!