nem era junho
nem se amassava o barro
com as patas pequenas
nem gotas sem fim vibravam no ar antes da queda
sol rasgando solo
sol salgando a pele
rubra vontade
e olhos morenos
tudo seco sob o céu
sem fim
e mesmo assim
afogada
morreria
"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
passeio de bicicleta
O sol
se pondo impunemente
com pressa e desprezo
nem se abalou
diante da queda
de meu rosto ralado na pedra
e do fim do que teria sido
o início
de um perfeito
fim de semana
se pondo impunemente
com pressa e desprezo
nem se abalou
diante da queda
de meu rosto ralado na pedra
e do fim do que teria sido
o início
de um perfeito
fim de semana
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Furiosa
Eu não sei ignorar a raiva.
Implodo castelos
quebro cristais
derreto a prataria:
de tudo
o que de melhor
tenho,
desdenho.
Implodo castelos
quebro cristais
derreto a prataria:
de tudo
o que de melhor
tenho,
desdenho.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Ventania
voam encantos imprevisíveis
comoventes estranhezas
fixam-se marcos e mapas na pele
- carícias suaves e pequenas violências.
taça após taça
a garrafa seca
o tempo passa.
fevereiro ferve sob novas exigências
férias fenecem
florecem novas falhas
a vida
ventania e vinha
infinito janeiro.
comoventes estranhezas
fixam-se marcos e mapas na pele
- carícias suaves e pequenas violências.
taça após taça
a garrafa seca
o tempo passa.
fevereiro ferve sob novas exigências
férias fenecem
florecem novas falhas
a vida
ventania e vinha
infinito janeiro.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Com trata-se
Não espero astronautas
-não tenho tanto espaço-
Não busco bombeiros
- meu fogo eu controlo -
já nem quero professores
empenhados em me ensinar mais que a vida
estou à cata de um espeleógrafo
que busque detalhes secretos
recônditos escuros
que se abrigue nas fendas
em silêncio reverente
e faça das imperfeições de meu teto
interior
seu motivo de gozo e glória.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Abismada
Sopra forte,
sob mim
vento que desfaz encargos da consciência.
Aguerrida
a pele grita a urgência da fome que não se sacia.
Sobrevôo em sobressalto
Salto mapas rotos de orgulho e cinismo.
Sobre edifícios de culpa e caos,
antigas convicções são saídas em ruínas.
A queda parece iminente
em frente, enfrento
o abismo.
sob mim
vento que desfaz encargos da consciência.
Aguerrida
a pele grita a urgência da fome que não se sacia.
Sobrevôo em sobressalto
Salto mapas rotos de orgulho e cinismo.
Sobre edifícios de culpa e caos,
antigas convicções são saídas em ruínas.
A queda parece iminente
em frente, enfrento
o abismo.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
de cara nova
um dia
depois de um porre
cansada de usar a cabeça
para ajudar homens a subir na vida
desceu a longa escadaria da torre
e decidida
entrou no salão do mago
dizendo:
- corte-me as tranças, Daniel.
depois de um porre
cansada de usar a cabeça
para ajudar homens a subir na vida
desceu a longa escadaria da torre
e decidida
entrou no salão do mago
dizendo:
- corte-me as tranças, Daniel.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Fim de ano
Termina o ano
Como passa o avião:
Já foi.
Eu fico.
Tempo vai!
Que eu fico.
Não penso em passado-presente-futuro:
Atemporal, me frutifico.
Como passa o avião:
Já foi.
Eu fico.
Tempo vai!
Que eu fico.
Não penso em passado-presente-futuro:
Atemporal, me frutifico.
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