"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

no fim não sabia
por quanto tempo estivera
na estrada vermelha
cobrindo-se de sol e poeira.

descobriu-se caído
aprisionado
pés rasgados sobre o pedregulho,
desgrenhado, faminto...
completamente vazio
de fé ou orgulho.

entretecido de couro e barro
mirou-se lentamente
a pele vincada como os sulcos no chão
os olhos noturnos em brasa
nenhuma brisa no pulmão

intentou erguer-se
mas com a rigidez de mil laços
as curvas da estrada impuseram-se
imperiosas
à sua coluna, suas pernas, seus braços.

e não há nada
que dele se revele
pois ali, sozinho
de caminhante
tornou-se caminho.



2 comentários:

Roberto Mibielli disse...

Pó sobre pó
Como palavras tecidas de vento
Ergueu-se de si
Inexistente e puro
Lavando - se na liturgia da chuva
Já não estendia as mãos às moedas
Sabia o soslaio alheio
Sem pena
Sem dor
Sem ressentimento
Já fora caminho e pedras soltas
Dessas que aqueles sem pecado jogavam
Das chagas e chacinas de estar vivo
Herdara o saber escuro
De atrás dos olhos
Agora fazia manhãs
Que confeitava de núvens
Imperfeitas e chuvosas
Cómo o homem jamais poderia ter deixado
De ser

Roberto Mibielli disse...

Teu poema tá lindo, Eli. Meu face tá meio doido, por isso tá duplicando os comentários. Tentei apagar e ele danou os dois. Apaga um pra mim, por favor?
Beijão!