"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Cada minuto de silêncio
caiu-lhe como uma gota na testa
(o tempo atesta
que muito se perde quando nada se pede
que muito se esgarça quando o ardor
força e é farsa)

Fingiu felicidade
enquanto no fundo
corroía-se por fungo
o amor que se lhe entranhava o centro.

Não negou cuidados ao viveiro
delicadamente transplantou a orquídea
regou vaso e pensamentos
farejando saudades fugidias pela fresta das horas.

Daí despiu-se do medo e firmemente
feriu a si mesmo rompendo a pele em desuso
destruiu o jardim com fúria
metendo-lhe os dedos na terra úmida
entre as raízes,- quem sabe?-
furtaria de si
o fraudulento coração.




Um comentário:

Tallon Almeida disse...

Ótimo poema. O legal é quando a gente se identifica com os versos de forma metafórica e nossa mente se deixa levar por lembranças de sentimentos que pensávamos que nunca iriam embora. Obrigado, Elimacuxi.