"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



terça-feira, 3 de julho de 2012


Magra,muito magra
tinha cara
e corpo de fome
não gostava do próprio nome
e quando colhia
legumes sob as bancas da feira
não sabia o que seria
além da sopa daquele dia.

O que o tempo fez da menina
descabelada
que pouco comia
e capinava terrenos baldios
pra jogar bola
onde chutava mais canelas
que os garotos vadios com quem andava?
A menina que batucava em fundo de balde
que xingava os crentes na ladeira
magrela, desgrenhada e encrenqueira?

Anarquista metida à besta
impaciente tratada por diversas terapias
não seguiu a esmo,
filhas e palavras
tornaram-se sua lavra...

Teve outro nome outro cabelo muita comida
apaixonou-se pelo amor, pela política e pela vida
e segue faminta
em infinita autofagia
servindo-se crua
em sua poesia.





4 comentários:

Monique Oliveira disse...

='/
=D
:s

Liv disse...

Brilhante. Não tenho Outra palavra pra definir as suas palavras.

Jessiconia disse...

Gostei muito desse. =)

Gabriel Parreira disse...

Essa menina me lembra alguém...! kkkkkkkllll gostei!