"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



sexta-feira, 4 de junho de 2010

o desejo
é lampejo que mata
o tédio benfazejo.

mas vejo a praia,
agora deserta
e a flor nascitura
de sombra coberta...

já quase sem cor
a imagem post-mortem.
- foi ou não foi amor? -
me gasto no ontem.


imagem: detalhe da ufam 
por eli


.

7 comentários:

Iuri Adônis disse...

Que lindo :D

Rubens da Cunha disse...

obrigado pela visita ao Casa de Paragens, se eu pulso em carne viva, aqui vejo contornos mais sutis, delicadezas irmãs do sublime, mas com tanta força quanto um soco...
abraços

Elimacuxi disse...

meninos
viver é de fato lindo, não?

Sullyvan disse...

É muito bom ler-te, é assustador e reconfortante. :)

hélio dantas disse...

não gosto de poemas que lançam luz em partes de mim que não gosto. isso seria virtude ou defeito?

Elimacuxi disse...

Sulivan, meu bem, o susto vem por mode que?
e Hélio querido, essa é a aventura!
beijos pros dois, parceiros amados.

Roberto Mibielli disse...

Tá lindamente dúbio, Eli. Viver o ontem é de fato um modo de vida. Gozá-lo, revirá-lo, ir matando-o aos poucos, até que se presentifique de vez, é uma linda forma de alienar-se do presente cujas sombras, benfazejas ou não insistem em se alongar.
Por outro lado, o passado se gasta, em sua essência, à medida em que é usado, vivido, reencarnado, e morre, enquanto passado, tornando o presente uma aventura aberta, sem lastros, sem rastros, sem quilhas. Uma trilha aberta no oceano. Um lampejante tsunami de desejos mortais, para quem vive apenas um presente sem sal. Eu, pelo meu lado co-pulante, me "A"gasto no passado...