"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

para meu amor distante

Da consumação da ausência anunciada,
cento e vinte dias passados.
Vida que voa e quando eu a via indo,
em ti fui toda desesperança.
outrora.

O agora
presente convertendo-se em passado,
futuro em presente,
e outrora
ah, a vida que tivemos!
refiro-me a ela como uma amiga querida
muito conhecida
distante e feliz
uma linda e distante conhecida...
 - naquela despedida
senti como se minha própria vida
estivesse indo um pouco pra longe de mim -

E se foram ligeiras as horas.
Por ora
tenho paciência comigo
com essa cara de quem quer abrigo
refletindo sóbria e solitária embriaguês

por ora
boto os travesseiros no sol e faço votos
de que o sol ignore o mar noturno
e nasça de novo.

por ora
sorrio, bebo, brinco
celebro a vida que ficou e essa saudade nova
invencível,
imortal!
Essa saudade nova que nem lápide com poema
nem beijo de morena
nem chocolate
nem cinema
podem apagar de vez.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

nem era junho
nem se amassava o barro
com as patas pequenas
nem gotas sem fim vibravam no ar antes da queda

sol rasgando solo
sol salgando a pele
rubra vontade
e olhos morenos

tudo seco sob o céu
sem fim
e mesmo assim
afogada
morreria

sábado, 12 de fevereiro de 2011

passeio de bicicleta

O sol
se pondo impunemente
com pressa e desprezo
nem se abalou
diante da queda
de meu rosto ralado na pedra
e do fim do que teria sido
o início
de um perfeito
fim de semana

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Furiosa

Eu não sei ignorar a raiva.

Implodo castelos
quebro cristais
derreto a prataria:
de tudo
o que de melhor
tenho,
desdenho.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ventania

voam encantos imprevisíveis
comoventes estranhezas
fixam-se marcos e mapas na pele
 - carícias suaves e pequenas violências.

taça após taça
a garrafa seca
o tempo passa.

fevereiro ferve sob novas exigências
férias fenecem
florecem novas falhas

a vida
ventania e vinha
infinito janeiro.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Com trata-se


Não espero astronautas
-não tenho tanto espaço-
Não busco bombeiros
- meu fogo eu controlo -
já nem quero professores
empenhados em me ensinar mais que a vida

estou à cata de um espeleógrafo
que busque detalhes secretos
recônditos escuros
que se abrigue nas fendas
em silêncio reverente
e faça das imperfeições de meu teto
interior
seu motivo de gozo e glória.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

adoecera cedo,
e morreria seco feito um pau
não fossem as lágrimas guardadas
dentro do peito.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Abismada

Sopra  forte,
sob mim
vento que desfaz encargos da consciência.
Aguerrida
a pele grita a urgência da fome que não se sacia.

Sobrevôo em sobressalto
Salto mapas rotos de orgulho e cinismo.
Sobre edifícios de culpa e caos,
antigas convicções são saídas em ruínas.


A queda parece iminente
em frente, enfrento
o abismo.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

de cara nova

um dia
depois de um porre
cansada de usar a cabeça
para ajudar homens a subir na vida
desceu a longa escadaria da torre
e decidida
entrou no salão do mago
dizendo:
 - corte-me as tranças, Daniel.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fim de ano

Termina o ano
Como passa o avião:
Já foi.
Eu fico.
Tempo vai!
Que eu fico.
Não penso em passado-presente-futuro:
Atemporal, me frutifico.