Há muito mais pra ver
pra fazer
do que as comédias românticas
que te assustam
te irritam
te afastam.
Há personagens
tão bem compostos
que justapostos
já rendem, por si
lindas histórias.
(E embora eu te queira
por inteiro
pra qualquer tipo de roteiro
não proponho drama, terror nem suspense
pra estrelar com você...
pra começar o ano
podia ser um documentário
sobre amizade
e a poesia do cotidiano
ou - mais imediato e menos raro -
um simples pornô-gourmet.)
"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
sábado, 2 de janeiro de 2016
| Trabalho maravilhoso de Matt Blum,The Nu Project. https://thenuproject.com/galleries/in-north-america |
não faça troça
aceita e segue essa missiva:
mete-se
atravessa a praça
não faça mesura
não meça as palavras
esmorece esse medo
assimila o selvagem e
esmiúça-me a pele
amassa-me até os ossos
amacia-me o ego
amansa-me
moça
arremete-se
como se me amasse.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Desreflexões sobre começos e fins.
A cultura começou o humano
e terminou a igualdade.
A liberdade é o fim da tutela
e o começo da solidão.
O tropeço é o começo da queda
e o fim do passo.
O fim da castidade
vem no começo do sexo.
O nó é o começo do choro
e o fim do laço.
O começo da amizade
é o fim da solidão.
O ar está no começo
e no fim da explosão.
O joelho começa na coxa
e termina na perna.
A casca quebrada é o fim do ovo
e início do pássaro.
O trabalho destrói o ócio
e inicia o cansaço.
A muda é o começo da planta
e o fim da semente.
O ódio é o começo do fim
de quem o sente.
A pele é o fim do mundo
e o começo da gente.
O nascimento é o fim da gravidez
o peito finda a fome, até que
comece outra vez...
o primeiro passo é o começo do fim
do colo
a paixão começa onde termina a paz
e a paz começa...
enfim, ninguém sabe mais
então para mim, tanto faz.
Pode vir, 2016.
Com paixão, com começos e
fins.
Sem mais,
Elimacuxi.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Fartou-se no banquete de uma noite
cheirou, tocou, esfregou, arranhou
energicamente
lambeu, sugou,
mordeu, deglutiu.
Raiaram-lhe depois
as razões e o dia:
e era finda a poesia.
À noite, entretanto,
quando só, no quarto quase escuro,
ainda mete os dedos na boca,
um por vez
a língua minuciosa, escavando os cantos
em busca de um sabor que revele
um resquício daquela pele.
Consome-se assim, há semanas
dispensou o uso de pijamas
e já não lhe resta nenhuma
de suas falanges distais.
É noturna e disforme essa fome, fome, fome...
dessas que enlouquecem a um homem
dessas
que ninguém sente mais.
domingo, 27 de dezembro de 2015
Re-secando
há aves diversas
vento abundante e poeira em vórtices
velado silêncio sobre a melancolia cotidiana
mangas e limões se decompõem
caídos entre as flores
e eu me recomponho
revirando doces ócios
de amores decompostos.
meu corpo se adominga
lentamente se cava e se suspende
solta-se sem hora nem susto
celebra-se vivo, respira,
ressente.
de repente
suspiros provocados pela pele
saram
arrancados na raiz
por afiadas razões
e severamente
re-secamos.
vento abundante e poeira em vórtices
velado silêncio sobre a melancolia cotidiana
mangas e limões se decompõem
caídos entre as flores
e eu me recomponho
revirando doces ócios
de amores decompostos.
meu corpo se adominga
lentamente se cava e se suspende
solta-se sem hora nem susto
celebra-se vivo, respira,
ressente.
de repente
suspiros provocados pela pele
saram
arrancados na raiz
por afiadas razões
e severamente
re-secamos.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
já não é pouca a emoção que brota
o amor, a gente sabe, a gente nota
quando é faísca e já quer se espalhar
e há um terreno, um campo em que,
se ele nasce
não tem mais freio, não se pode evitar:
peito menino, pouco importando a idade
feito poeta é o meu jeito de amar
e eu bem sei: não tem conveniência
e eu bem sei o quanto ele pode arder
e eu bem sei, mas nada nada disso importa
quando me brota assim
um novo bem-querer.
Boudoir Noir
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Salve a rainha
Salve a rainha o silêncio e o mistério
salve o calor de sua energia
salve a rainha da água e do ar
salve a rainha, memória, magia
salve a rainha dos povos da mata
salve a rainha que da vida trata
salve a rainha que sabe, conhece
salve a rainha que a tudo enobrece
salve a rainha que vive encantada
salve a rainha que veio, chamada
salve a rainha raiz céu e chão
salve a rainha luz na escuridão
salve a rainha que serve-se pura
salve a rainha que é cor, som, textura
salve a rainha que toca e que cura
salve a rainha força e resistência
salve a rainha da sã consciência
salve a rainha mãe da própria lei
salve a rainha que vive sem rei
salve a rainha das selvas e areias
salve a rainha
que sou
e sereias.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Des-pre-tensão
![]() |
| Imagem originalmente postada em biscatesocialclube.com.br |
Com quanta graça e força
a vida, essa coisa torta
me atira assim, meio morta
nos teus meio-mortos braços.
E logo, sem embaraço
um lago que à alma afaga
nos lava e nos desafoga.
Os sustos desaceleram...
Esse instante que associa
pele, pulso, poesia
- desses que nem se diria
disponíveis hoje em dia -
com toda sua energia
nos tirou medo e cansaço,
desmentiu as leis do espaço
do dia sacou as horas...
felizes nós caminhamos
entre jovens e senhoras
e um dia
valeu por anos.
Sensíveis, desassombrados
nos cedemos solidários
sedentos e solitários
a saciar nossos cios
e eram tantos desafios
saudades, dores dementes
pecados impenitentes
cansaços, medos, enganos...
os lençóis formaram ondas
de um mar branco e bravio
onde juntos navegamos.
De lado muito trocamos
os nossos dois corpos lassos
e tanto fez o ar escasso
tanto fez se par ou passo
seriam a consequência:
com a doçura desse abraço
destroçamos nossa ausência
quebrando com o descompasso
da nossa (im)própria existência.
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