"Uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana." (Huizinga, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5ed. Saão Paulo: Perspectiva, 2007)
De todos os brinquedos que a vida me deu, o que mais me cativou foi o de jogar com as palavras. O jogo se faz completo quando escrevo e alguém replica, quando replico o que escrevem... É na intenção de reunir jogadores e assistência, que meu blog é feito.



segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

é findiano

tanta alegria...
há um bicho que me arranha
por dentro:
não quero papo.

Tudo me cobra
a paciência que se exercita
mas é certo que estou um trapo.

Até que aceito e finjo bem,
mas odeio natal
e a obrigatoriedade da família reunida,
comida, bebida
etc e tal.

por isso, à meia noite
completamente despida
sob o céu e uma cortina de fumaça
quero que você me faça viajar
pra onde não haja mais nada:
nem família, nem comida,
a forçada alegria
hipocrisia
a me lanhar.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ontem, no escuro
chorei feito criança
chorei pois a dança dos meus pensamentos
denunciava movimentos desesperados
nós desatados
desencontros e outros babados
que compunham uma colcha de horror.

ontem, no escuro do quarto
era noite e não acendi a luz
não acendi porque erroneamente supus
que isso iria aliviar a dor

ontem, um anjo triste me estendeu seus braços
destapei os olhos e me deixei verter
a duros passos, sem companhia,
num caminho de me perder
ontem, adormeci sozinha
tão só que a noite embrutecida
decidiu que seria companheira
foi-se logo embora
e amanheceu segunda-feira.

domingo, 16 de dezembro de 2012

para o melhor time do mundo

ouve o tropel?

hoje
meu coração que andava trotando
galopou o peito, violento
dentro
parecia se unir a outros milhões de corações
que também galopavam
num ritmo louco

eu fui ao céu.
(título mundial é pouco
eu amo mesmo é a Fiel)

domingo, 9 de dezembro de 2012

Fim do Mundo


calor
e envolvimento:
pura proteção.

cuidado
e conforto:
um porto.

procuro meu fim de mundo
longe de agruras externas
e encontro no mais profundo
do entre de suas pernas.



"Buraco negro é uma 'coisa' 
que de negro tem tudo 
mas de buraco não tem nada." 
prof. Renato Las Casas. 
in www.observatorio.ufmg.br


sábado, 8 de dezembro de 2012

Poema com ciúme e tudo

Perdido em trilhas
virilhas novas
copos de maravilhas
versos e trovas
esqueceu os cabelos louros
esqueceu as falas e gestos
esqueceu as pernas abertas
esqueceu histórias e o resto.

Foi assim que veio o fim:
ele se meteu no fim do mundo
se esqueceu de tudo
e esqueceu de mim.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Vento

Van Gogh. 















Você jogou tudo fora
por inconstância, por medo
por excesso de segredo
ou motivo que ignora.

Não venha ventar agora.

Meu tempo hoje é de bonança
então leve sua dança
em silêncio pra bem longe...

Não venha plantar ciúme
nem apagar o meu lume 
esquecido de você.

 - e não espere outra chance
já morreu nosso romance
te aconselho a me esquecer.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

cura

meu amor é minha praça
se a dor meneia
apagando a raça
o orgulho, a graça,
perdida e lassa
ainda alcanço a caça
que me trapaceia.

num mar de fumaça
me entrego àquele
que melhor me abraça

me aninho em sua trança
até que toda dor se desfaça...

mansa
toda doença
e crença
oscila e passa.






segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Carne moída

poderia ser servida
no almoço
sobre o macarrão
ou entre o pão
com queijo e molho
poderia ser a preferida
ração do meu cachorro
ou ficar esquecida
na geladeira

a carne, moída
restos ralados
de um bicho morto...

e hoje
(dor e dor e dor e dor...)
é dessa matéria que meu corpo
todo parece se compor.

domingo, 25 de novembro de 2012

rolo de espinhos
descendo a garganta
soco
que vem de dentro
e o sufoco de se perder
no emaranhado do pensamento

cão que me morde e não late...
quem saberá quando vem
essa inimiga que me abate?

sábado, 24 de novembro de 2012

Aqui, em Marte

algo não vai bem
e ela vaga
suporta sentenças sem sentido
e sacramenta em sépia
todas as suposições transformadas em memória

debate-se dentro de si
sorrateira
silenciada e só

algo não vai bem
e vagarosa
a vida se converte
ora em morte
ora em arte