quinta-feira, 8 de abril de 2021

poema primeiro*

Lá fora chove, 
a água cobre generosamente a terra
já é abril
a temperatura caiu e aqui 
entre pilhas de textos esperando leitura
movem-se rapidamente, a partir da manhã
as estruturas do pensamento que conflitam 
atritam, machucam, apertam, constrangem
um corpo que só quer se aninhar.

Lá fora chove, 
a luz prateia a goteira e o chão, 
o som repetido chega ritmado
e é ecoado pelo meu coração.

Volto ao estado de natureza 
que ignora a nova importância 
dada às coisas que ontem não existiam
e então fujo do Benjamin 
para reencontrá-lo por uns instantes
e inscrever por dentro esse poema chuva
esse poema luz, esse poema ar 
que se move em som
e respiração
esse poema salvação no qual 
não há ordem nem desordem
nem caos, nem deleite
apenas eu inscrita em versos
de re-existência.

*sob regime de doutoramento.


3 comentários:

  1. Chove aqui
    O pedreiro não veio
    O telhado saiu dali
    E a chuva
    Atrevida
    Molha meu piso

    A obra parada
    A água escorrendo
    Estragam meu sorriso.

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  2. Lindo o seu Poema luz, primeiro sob doutoramento. Que essa luz sempre venha, principalmente nos momentos de apagamento. 😘

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  3. Salve a Bela Musa, pós-helênica, pós-titulações, devir-indigena que suponho, chovendo sobre vc! Que chova sobre todxs NÓS!!!

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